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Volta às aulas presenciais traz divergência entre pais e professores em Goiás

Postado em: 17-01-2021 às 14h00
Algumas escolas da rede privada já voltaram a ter aulas presenciais no sistema híbrido; rede estadual pretende adotar sistema em 25 de janeiro | Foto: Divulgação

Luan Monteiro

Com o início do registro de casos da Covid-19 em Goiás em março de 2020 muitas escolas tiveram que agir rápido para garantir o ensino a seus alunos. A melhor escolha, na época, foi o ensino on-line, o que causou diversos problemas tanto para pais quanto para alunos.

Com o crescimento exponencial de infecções no Estado, parecia não haver uma luz no fim do túnel, porém, no quarto trimestre de 2020 muitas escolas, em sua maioria privadas, adotaram o sistema de ensino híbrido, onde 30% dos alunos frequentam presencialmente e os outros 70% continuam a assistir aulas de forma on-line.

Na rede estadual de ensino de Goiás, a volta do ensino presencial está prevista para o dia 25 de janeiro, de forma híbrida. Ocorrendo rodízio de 15 em 15 dias, alternando os alunos que devem comparecer à escola. Estas aulas serão facultativas e caberá aos pais ou responsáveis a decisão. Caso, optem por continuar o ensino a distância, estes deverão assinar um termo de compromisso.

A Maple Bear, instituição privada de ensino infantil e fundamental com cinco unidades na região metropolitana de Goiânia, adotou esse sistema ainda no ano passado. A decisão de adoção foi tomada após a criação de uma série de medidas de prevenção para garantir a segurança de alunos e colaboradores.

Segundo a coordenação da instituição de ensino, medidas como a higienização de materiais e objetos utilizados em salas de aula, utilização individual de brinquedos, checagem de temperaturas e utilização de máscaras foram essenciais para garantir a segurança dos alunos.

“Os alunos a partir de 3 anos de idade estão utilizando a máscara dentro da sala de aula. Toda a equipe está de máscara e face shield e, seguindo esses protocolos rigorosamente, em mais de um mês e meio de aula presencial em 2020 não tivemos nenhum caso de covid. E continuaremos seguindo esses protocolos em 2021”, explicou a coordenadora de operações da Maple Bear, Mariana Siqueira.

Para a escola, a adoção do ensino não teve muitas barreiras, e que muitos alunos, mesmo tendo certas dificuldades, conseguiram, com o apoio da instituição, se sobressair. Segundo a coordenadora pedagógica, Sabrina Oliveira, a escola conseguiu manter controle de participação dos alunos. “Durante as aulas online são realizadas muitas atividades, muitos exercícios são feitos durante a aula ao vivo com o professor. E ali, tanto o professor quanto os assistentes, eles conseguem ter esse olhar para quem está participando, para quem está contribuindo, para quem está comentando, para quem está se colocando”, apontou Sabrina.

“Um pequeno número de alunos sentiu muita falta do presencial, e isso impactou no resultado, na disciplina, na forma de gerenciar e organizar os seus estudos. Porém, percebemos que foi algo mais emocional do que uma dificuldade de realmente aprender, e sempre estivemos muito presentes com esses alunos. Chegando a fazer algumas visitas presenciais para ter todo esse cuidado”, complementou.

Pais

Para alguns pais, a situação é um pouco mais complicada. Lidar com a vida profissional e cuidar dos filhos estudando de casa muitas vezes se mostra um desafio. Porém, alguns ainda não acreditam que seja o momento da volta ao ensino presencial.

Para Mayara Souza, mãe de dois alunos da rede pública de ensino, o momento ideal para a volta das aulas presenciais é após a vacinação, e que, mesmo o ensino a distância sendo precário na rede pública, a segurança é mais importante.

“O ensino a distância é precário e meus filhos não estão aprendendo de maneira adequada. O governo deveria investir mais na educação a distância até que as aulas presenciais voltem. Por mais que nos dedicamos, podemos notar que o desempenho caiu muito” aponta Mayara.

“Para que tenhamos segurança nas voltas às aulas presenciais, o mínimo é a aplicação do distanciamento social, álcool em gel, máscaras, salas com menos alunos, além da carga horária reduzida. Porque a escola e o convívio com outras crianças são fundamentais na formação do caráter de uma pessoa, porém, o aumento no contágio não nos passa segurança”, completou.

Já Ariane Souza, mãe de uma aluna de escola privada, não vê problema na volta do ensino presencial, sendo apenas indispensável a adoção de medidas de segurança.

“Acredito que já está no momento de voltarem vi as aulas, todo comércio está funcionando normalmente, então não vejo por que às escolas também não retornarem. Porém, é necessário o uso de máscaras, higienização, distanciamento, o uso de objetos particulares e ter a fiscalização desse protocolo”, aponta Ariane.

Para ela, a adaptação para o novo modo de ensino foi muito difícil, e que parte da culpa foi na dificuldade da escola de desenvolver a plataforma e treinar os professores para a nova forma de ensino. “Foi muito difícil a adaptação, e o acompanhamento em tempo real das atividades escolares, a escola demorou a desenvolver a plataforma, os professores tiveram dificuldades, conteúdos atrasados”, completou.

Professores

A professora de geografia do ensino fundamental, Stephany Lopes, existe um grande risco na volta de aulas presenciais, e que “Em plena pandemia as aulas presenciais são preocupantes, coloca praticamente todo mundo em risco, tanto os professores quanto os alunos”.

Stephany também diz que o presencial facilita bastante para os professores, porém, o momento ideal de voltar com esse tipo de ensino é apenas após a vacinação de grande parte da população.

“O presencial facilita para nós professores acompanhar o aprendizado do aluno, o aluno consegue ficar mais comprometido com conteúdo. No online, para o conteúdo chegar até o aluno, até a sua compreensão é mais difícil, porém temos algumas facilidades do online, como a grande atualização de recursos através da internet”, completa.

Já Fernando Cabral, professor há 20 anos, acredita que a volta das aulas presenciais é um erro, devido a falta de testes para os alunos e colaboradores, e trazer esse sistema agora, mesmo que híbrido, é colocar em risco tanto o professor quanto o aluno.

“A questão da volta das aulas presenciais é muito complicada, principalmente pela falta de testes para os alunos, os colégios não estão testando os professores, e a disseminação do vírus é pelo ar, então não sabemos se vamos ser infectados ou não”, explica Fernando.

Sobre as aulas remotas, Fernando acredita que seja também um problema, e que o aluno sai perdendo sempre. “As aulas deixam um déficit para o aluno, devido a falta de contato diário com o professor para tirar dúvidas, por mais que nos esforcemos ao máximo para resolver os problemas dos alunos, dificilmente chegamos a um ponto em comum. Principalmente em momentos como esse, de vestibulares, do ENEM, o aluno sai prejudicado. Acredito que o problema vem principalmente da pressa de implementação desse novo sistema de educação, mas como foi o momento de trabalhar em segurança, tentamos adaptar ao máximo”, completou. (Especial para O Hoje)

 

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