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Economia

Sorgo: Goiás é líder em produção do quinto cereal mais consumido do mundo

Postado em: 06-09-2019 às 06h00
A estimativa de produção para 2019 cresceu 0,6%. São mais de 270 mil hectares de área plantada.

Ingryd Bastos

O estado de Goiás é o maior produtor de sorgo do Brasil, representando 41,8% de toda produção nacional, de acordo com o levantamento deste ano feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O sorgo é o quinto cereal mais consumido do mundo, ficando atrás apenas do trigo, arroz, milho e cevada. É utilizado principalmente na fabricação de rações para animais. No entanto, o grão também pode ser usado em alimentos para humanos. É rico em nutrientes, livre de glúten e especialistas em nutrição chegam a propor a substituição do trigo pelo sorgo na base alimentar.

A estimativa de produção para 2019 cresceu 0,6%, sendo superior a um milhão de tonelada, em relação ao ano passado, com mais de 270 mil hectares de área plantada. Em todo Brasil, a expectativa é de colher 2,5 milhões de toneladas, um aumento de 9,5% da safra em relação ao ano passado, tendo como fonte principal o estado goiano.

Para o superintendente de Produção Rural e Sustentável da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa-GO), Donavam Maia, o principal motivo que favorece para o estado ser o maior produtor do grão é o clima e explica ainda que o baixo custo do sorgo torna uma opção favorável para os produtores. “O sorgo acaba por ter viabilidade de produção. Como Goiás tem uma área de mais de 3 milhões de hectares de soja e boa parte dessa área tem viabilidade na safrinha, os produtores acabam optando pelo sorgo”, diz o superintendente.

Além disso, Goiás também conta com vários confinamentos, gerando mais estabilidade na produção, demanda que, segundo Donavam, está crescendo a cada ano. “Goiás tem importantes agroindústrias, é um grão resistente ao clima seco, sendo uma boa opção para nossos produtores”, afirma.

Pode substituir o trigo

Atualmente cerca de 500 milhões de pessoas consomem o sorgo, principalmente em países subdesenvolvidos, isso porque especialistas acreditam que o cereal tenha surgido na África e resistido melhor do que outros por causa da seca. Em alguns países, inclusive o Brasil, o sorgo era utilizado apenas para alimentação de animais, mas estudiosos descobriram o potencial do grão para desenvolvimento de alimentos para consumo humano.

Por ser um cereal de baixo custo, resistente e rico em nutrientes, a indústria alimentícia apostou no grão para desenvolver alimentos funcionais para o nosso dia a dia. Um exemplo disso é a utilização do sorgo em receitas que levariam o trigo, segundo cereal mais produzido no mundo, como na preparação de pães, panquecas, cookies e bolos.

Além do valor nutritivo, pesquisadores descobriram que o sorgo também pode prevenir doenças como crônicas como obesidade e diabetes. Uma pesquisa realizada pela Embrapa Milho e Sorgo, publicado no European Journal of Nutrition constatou que os componentes bioativos presentes no sorgo reduz a resposta glicêmica, sendo recomendado para pessoas com diabetes.

“Por ser livre de glúten e possuir sabor mais suave, o sorgo poderá substituir o trigo na produção de alimentos gluten free e beneficiar indivíduos que têm algum grau de intolerância a essa proteína, especialmente, os celíacos”, exlica a pesquisadora e nutricionista da Embrapa Milho e Sorgo, Valéria Aparecida Vieira Queiroz.

No ano de 2008, cientistas da Embrapa iniciaram uma série de pesquisas para analisar o potencial do sorgo para alimentação humana, em 2010 foi aprovado o projeto “Sorgo para alimentação humana: caracterização de genótipos quanto a compostos de interesse para a nutrição e a saúde humana e desenvolvimento de produtos sem glúten". Na América Central, Ásia e Africa já é comum o uso do cereal para alimentação.

Safras

Goiás também está entre um dos maiores produtores de cereais, leguminosas e oleaginosas, a região Centro-Oeste é a região que mais se produz produto como milho, arroz, soja, trigo, cevada e o sorgo. Segundo a Produção Rural e Sustentável da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), até maio desse ano o Centro-Oeste foi responsável pela produção de 106,2 milhões de toneladas, um aumento de 5,1% em relação a 2018.

Atrás está o Sul com a produção de 77,9 milhões de toneladas, Sudeste com 22,1 milhões de toneladas, Nordeste com 19,2 milhões de toneladas e Norte com 9,3 milhões de toneladas. Ao todo a estimativa para 2019 no estado é de 234,7 toneladas até o fim do ano, 3,6% maior que 2018.

 

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