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Essência
Música clássica
11/10/2018 | 06h00
Jean-Louis Steuerman se apresenta com Filarmônica de Goiás nesta
Concerto será marcado pela estreia da obra ‘Fantasia Tarumã’, do compositor brasileiro João Guilherme Ripper

GABRIELLA STARNECK

ESPECIAL PARA O HOJE

O renomado pianista Jean-Louis Steuerman divide o palco com a Orquestra Filarmônica de Goiás (OFG), nesta quinta-feira (11), no Teatro Goiânia. E o concerto está cheio de novidades! Além da participação especial do solista, outro destaque da apresentação é a estreia da obra Fantasia Tarumã, do compositor brasileiro João Guilherme Ripper. As composições O empresário, Abertura Concertante e o Concerto para Piano nº24  integram o repertório. A regência está a cargo do maestro titular da orquestra, Neil Thomson.

Jean-Louis Steuerman conta que toca com certa regularidade com a Filarmônica de Goiás, e que a expectativa para essa apresentação é muito boa.  “Eu tenho muito carinho pela orquestra, e fico feliz de trabalhar novamente com esses músicos. O Neil Thomson é um amigo, admiro muito o trabalho dele! Então acredito que será um concerto lindo. A intenção é fazer uma ótima apresentação para que quem for apreciar tenha o interesse de voltar e ver outros concertos”, afirma o pianista ao Essência. 

Apresentação 

A composição que abre o concerto é a obra O empresário, de Mozart. Com a OFG, Jean-Louis Steuerman interpretará o Concerto para piano nº 24, também de Mozart. Na sequência, será apresentado a Abertura Concertante, de Camargo Guarnieri. Para finalizar a apresentação, a estreia da obra Fantasia Tarumã, do compositor brasileiro João Guilherme Ripper. 

O pianista conta que a escolha do repertório foi feita pela Filarmônica, que encomendou a composição Fantasia Tarumã. “Eu fiquei muito honrado quando fui convidado para tocar na estreia mundial dessa peça. Como a obra tem de 12 a 14 minutos, o Neil perguntou qual composição de Mozart eu gostaria de tocar, foi então que escolhi o Concerto Para Piano Nº 24”, afirma Steuerman. O solista ainda relata que em um momento da apresentação irá reger a orquestra: “Para mim é uma coisa que me instiga, já que não faço com frequência”. 

Pianista

Nascido no Rio de Janeiro, em 1949, em família de músicos, Jean-Louis Steuerman começou os estudos de piano com apenas quatro anos de idade. Sua estreia na Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) foi aos 14 – o que revela que o garoto já levava jeito para música clássica. Em 1967, graças a uma bolsa de estudos, foi estudar na Europa, ingressando no Conservatório de Nápoles, Itália. Mas o pontapé para carreira musical foi quando Jean-Louis ganhou, em 1972, o segundo lugar no concurso Johann Sebastian Bach, em Leipzig. Foi a partir dessa conquista que ele obteve grande reconhecimento como solista e recitalista internacional.

Prova disso é que o pianista fez grandes turnês na Europa, America do Norte e Japão – apresentando-se nas principais séries de recitais. Como camerista, tem tocado com alguns dos mais renomados músicos internacionais. Suas gravações para a Philips Classics incluem a obra para Piano Solo de Scriabin, a obra completa de Mendelssohn com a Orquestra de Câmara de Moscou, os Concertos Para Piano de Bach com a Orquestra de Câmara da Europa – dentre outras E, para falar mais sobre sua carreira e a música erudita, Jean-Louis Steuerman participou de um bate-papo com o Essência. Confira a entrevista abaixo. 

 Entrevista: pianista Jean-Louis Steuerman 

Conte-nos um pouco como começou a sua relação com a música clássica. 

Tive muita sorte!  Eu tinha um piano em casa, também tenho muitos parentes músicos – então essa realidade fazia parte da minha vida familiar. Meu avô, por exemplo, tocava violino muito bem. Além disso, eu tive uma professora de piano, que era minha vizinha, e adorava me dar aula. Ela meio que me ‘subornava’, porque sempre me dava guaraná e biscoito antes das aulas (risos). Por ser criança, eu também aprendi muito rápido.

Você acredita que ter nascido em um ambiente musical foi um facilitador para sua carreira?

Com certeza, foi superimportante. Eu sempre recebi apoio dos meus pais. Não vou dizer que foi fácil; é uma carreira difícil - cheia de altos e baixos. Por exemplo, às vezes você participa de um concurso, e não ganha. Mas o fato de eu ter começado a luta para construir uma carreira desde cedo me ajudou. 

Ao longo desses anos de trajetória, o que você destaca como ‘principal’?

É muito difícil ressaltar algo em específico, porque são tantos momentos, faço isso há tanto tempo. Minha carreira é marcada por momentos bons e ruins, e ambos são fundamentais. Porque, às vezes, você faz um concerto, e não se sai bem, mas isso serve como aprendizado também. Para mim, a coisa mais importante é aprender e querer melhorar sempre, porque a música clássica é maravilhosa, e merece ser tratada com carinho.

Por ser um renomado pianista no Brasil e no exterior, como você avalia o cenário da música erudita aqui no País?

Eu morei muitos anos na Europa, e ainda mantenho vínculos muito grandes com o exterior, porque faço trabalhos fora. Em relação ao cenário da música erudita no Brasil, eu acredito que ele está se desenvolvendo e crescendo rápido. Na verdade, o mercado da música na América do Sul e na Ásia é um dos que mais cresce. Quando eu era jovem, havia poucas oportunidades no Brasil para a música clássica, mas hoje temos várias orquestras novas, além de um público que se interessa pelo nosso trabalho.  Dessa forma, as oportunidades para jovens músicos também aumentam. A Filarmônica de Goiás, por exemplo, é formada por músicos novos, e o sucesso desses profissionais vai incentivar outras pessoas que querem seguir carreira nessa área.

Para os jovens que estão iniciando carreira na música clássica, agora, qual dica você dá para que eles tenham sucesso profissional?

De não desanimar e saber que a trajetória será marcada por altos e baixos. Além disso, trabalhar respeitando a música, a partitura. Outra coisa é buscar – como um detetive – o que o compositor queria passar com sua obra, pois precisamos honrar esses profissionais. Eles que fizeram essas músicas maravilhosas. É importante saber que é uma atividade que exige muito estudo. A gente é pago para tocar em um concerto, não para estudar. Mas é estudando que as portas vão se abrir e o nosso trabalho ficará melhor.

Sobre sua apresentação na Capital, em sua opinião, qual a importância de o concerto ser gratuito e, automaticamente, acessível do ponto de vista econômico?

Eu acho importantíssimo, porque a música clássica é um patrimônio de todos, além desse  estilo musical ser maravilhoso. Pelo fato de a apresentação ter entrada franca, um número maior de pessoas podem comparecer. E eu acredito que quando você oportuniza que essas pessoas tenham acesso à música erudita, barreiras são quebradas, porque muitas pessoas acham que esse estilo é muito forma, complicado, ou até mesmo uma atividade para gente ‘mais rica’. Quando as barreiras que afastam as pessoas são eliminadas, possivelmente elas passam a apreciar esse estilo, porque a música clássica é muito linda.  

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