Essência

Dom Pescoço lança álbum inspirado na Sociedade da Grã Ordem Kavernista

Postado em: 11-02-2021 às 08h41
O terceiro disco da banda brinca com o inusitado e a pluralidade musical | Foto: Divulgação/Chucro

Elysia Cardoso

Em 1971, Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Edy Star e Miriam Batucada se reuniram para gravar e lançar o disco ‘A Sociedade da Grã-ordem Kavernista  Apresenta Sessão das Dez’. Retirado de circulação pela gravadora, ignorado pelo mercado, pela crítica e pelo público na época, o trabalho, que transborda humor e criatividade viria a ser cultuado apenas anos depois. É nele que a banda Dom Pescoço se inspirou na hora de arquitetar o seu terceiro álbum da carreira, ‘Chucro’, que já está disponível nos aplicativos de streaming.

Em entrevista ao Essência, a banda explica a questão de ‘Chucro’ ter inspiração na Sociedade da Grã Ordem Kavernista. “Adoramos esse disco e a forma como ele é debochado e traz a pluralidade da música brasileira. Percebemos que somos bem parecidos nesse aspecto, nosso disco tem pluralidade e ludicidade muito grande, temos também, a questão da seriedade, mas a vida não é só séria. Por isso, temos muito a parte lúdica e por conta disso, queríamos fazer uma homenagem indireta ao disco”, conta a banda composta por: Dom Fernandes, Gabriel Sielawa, Passarinho e Rafael Pessoto.

Para os envolvidos, o projeto é a concretização de um sonho. “Toda banda tem esse sonho de viver da música e colocá-la no mais amplo espectro de divulgação. O disco é uma forma tradicional de fazer um grande projeto e divulgar sua música. Tem toda uma história por trás desse disco, ele foi o resultado de um edital e pra realizá-lo, nos enfurnamos na zona rural e o disco acabou nascendo”, afirmam os integrantes felizes com o resultado e agora lutando por um alcance maior.

O grupo também ressalta a importância dos editais públicos na realização de ‘Chucro’ e dos demais projetos artísticos do cenário independente. “São muito importantes para o fomento de músicas fora do circuito comercial, eles são muito importantes nesse quesito de viver de música, ainda mais dentro de uma pandemia”, diz Dom Pescoço. “Se não fossem os editais, não saberíamos como viveríamos”, completam os artistas que pretende sempre lançar mais trabalhos e mais discos, remunerar seus parceiros.

Musicalidade do disco

Com a pré-produção feita na zona rural de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, ‘Chucro’ inicia e termina com vinhetas com sons dos gansos da região, o animal também foi parar na imagem de capa do trabalho. Entre a faixa que abre o disco e a que encerra, outras onze são responsáveis por apresentar o universo sonoro construído pela Dom Pescoço.

O ritmo do brega surge em ‘Mesa 13’, e ‘Me Faz Lembrar’ parte de uma base de ijexá (ritmo de origem africana). Enquanto ‘Leve’ buscou inspiração na cena contemporânea do Brasil, como Kiko Dinucci e Siba, a faixa ‘Luvoar’ teve como escola a obra de Gilberto Gil. Apresentada como primeiro single ‘Delicadinho’ virou uma balada anos 80 que fala de amor. Inclusive, a pegada love song também é marca de ‘Mais de Perto’.

As vinhetas ‘Eu vou/não vai não’ e ‘Pegue Um Pano’, além das canções ‘Qualquer Lugar’, ‘Imamaiah’, ‘Fogo’, completam a tracklist de ‘Chucro’, surgido ao modo do inusitado kavernístico e brincando com o lúdico em sua produção.

Sobre a banda

De forma orgânica a Dom Pescoço nasceu em 2014, mais precisamente na zona rural de São José dos Campos, interior de São Paulo. “O núcleo básico da banda se encontrava num espaço ecocultural, onde sempre íamos para nos encontrar, ouvir e fazer música, assistir shows e ir a festas de pessoas aqui da região”, relembram.

A banda faz parte do cenário underground e independente brasileiro. Eles revelam que Já tiveram um grande alcance por conta das turnês, que aumentaram a base de fãs pelo brasil. “Apesar de ser uma comunidade pequena, eles (os fãs) são muito fiéis. Nos esforçamos para que nossa música tivesse alcance de vários públicos na cena independente, sempre com músicas autorais e do coração”.

Dom Pescoço traça planos para um futuro, no qual poderão compartilhar suas canções com o público muito além dos limites virtuais. “Pretendemos lançar mais videoclipes e principalmente, depois da vacina, fazer vários shows, ver a galera, sentir a energia, pois estamos sentindo muita falta disso. Quando as pessoas puderem comparecer com segurança nos shows, tenho certeza que vai ter muito choro, muito abraço e muito amor. Foi um ano muito difícil e tá todo mundo com saudades de aglomerar, de ir a shows e aproveitar o que a música tem de bom, que é unir as pessoas”, finalizam. (Especial para O Hoje) 

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