sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Despejo

80 famílias são despejadas do bairro Solar Ville, em Goiânia

A ação da prefeitura descumpre a liminar Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 828, prorrogada pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)

Lorenzo Barretopor Lorenzo Barreto em

Cerca de 80 famílias foram despejadas na tarde desta segunda-feira (5/9), no bairro Solar Ville, em Goiânia. A prefeitura de Goiânia por meio da Guarda Civil Metropolitana (GCM), e da Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA), promoveram o despejo afirmando que se tratava de área de preservação permanente. A informação é do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD).

O movimento criticou a abordagem da prefeitura. “A ADPF prevê que antes de despejar, em casos que o despejo é realmente necessário, é preciso haver uma alternativa de moradia, mas a assistência social não chegou, só as patrolas”, disse um dos membros da MTD.

A ação da prefeitura descumpre a liminar Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF828, prorrogada pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, que impedia despejos durante a pandemia. A liminar já havia sido deferida, pela segunda vez, em março deste ano. Segundo Barroso, com a progressiva superação da crise sanitária, os limites da sua jurisdição se esgotarão e, por isso, é necessário estabelecer um regime de transição para o tema.

Em nota, a Prefeitura de Goiânia respondeu sobre o despejo:

“A ação de fiscalização em uma Área Pública Municipal destinada a implementação de Parque no Residencial Solar Ville foi realizada em conformidade com a legislação e concluída de forma pacífica.

No local, a Amma realizou a retirada de barracas de lona irregulares que estavam completamente vazias e sem mobiliários. Não residia ninguém nos barracos, os quais foram retirados pela Amma.

Foi constatado pelos auditores fiscais que os ocupantes cortaram árvores nativas do local e atearam fogo em outras. O intuito era desmatar a área para construir uma espécie de barraco que demarcasse o local.

Três pessoas apareceram durante a ação se dizendo donas dos barracos, e foram autuadas, saindo em seguida do local de forma pacífica .

A ação contou com o apoio operacional da Guarda Civil Metropolitana (GCM), Assistência Social e do Conselho Tutelar da região.

Foi identificada a organizadora da ocupação. Todos os demais ocupantes
relataram possuir casas nas proximidades das áreas ocupadas nos setores Buena Vista, Residencial Solar Ville e London Park.

Ficou constatado, também, que o intuito dos ocupantes era demarcar a área para que, no futuro, houvesse uma possibilidade de regularização, o que é ilegal.”

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