quinta-feira, 27 de agosto de 2026
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Mulher que quer engravidar busca opções de tratamentos para endometriose

Endometriose é uma doença crônica e progressiva que acomete mulheres em idade reprodutiva e pode causar infertilidade, dor profunda na relação sexual, além de cólicas menstruais intensas com piora progressiva

Yasmin Fariaspor em
Mulher que quer engravidar busca opções de tratamentos para endometriose

Náusea, enjoo, perda de apetite, fraqueza, constipação, dor nas costas e nas pernas, esses são alguns sintomas que a maquiadora e produtora audiovisual Ana Isa Mamede, 26 anos, diagnosticada com endometriose,  começou a sentir no início de julho de 2023, quando ainda não havia descoberto a doença. “Eu sentia tudo, menos cólica menstrual, apenas outros sintomas e uma cólica razoável”, conta a maquiadora. Como os sintomas não paravam ou diminuíam, a mulher procurou uma unidade de saúde.

Os primeiros exames não identificaram o problema, que cada vez mais lhe causava dor e desconforto. “Não entendiam quando eu dizia que buscopan e dramin não estavam fazendo efeito”, comenta, ao falar sobre as indicações dos médicos que lhe atenderam em Goiás. Sem solução para o problema, Mamede procurou outro especialista, desta vez em Uberlândia (MG), cidade onde nasceu. Ainda no exame de toque, a endometriose foi constatada, segundo a produtora. 

A endometriose é uma doença crônica e progressiva, que acomete mulheres em idade reprodutiva e pode causar infertilidade, dor profunda na relação sexual e, principalmente cólicas menstruais intensas com piora progressiva. A explicação é da médica ginecologista e sexóloga Joice Lima. “Muitas dessas pacientes precisam ir todo mês ao pronto socorro para fazer medicações injetáveis”, salienta a especialista.

A ginecologista Bárbara Alves Araújo acrescenta que a infertilidade ocorre devido ao implante do tecido endometrial – que fica dentro da região interna do útero – em outras regiões fora do útero, como as trompas, os ovários, intestino e a parede da bexiga. “Esse tecido pode se proliferar e causar obstrução de algumas regiões, como a própria tuba uterina, e causar infertilidade”, explica.

Nos casos mais avançados da doença, onde o implante do tecido endometrial já encontra na região do intestino, pode ocorrer sangramento e dor intensa na hora de evacuar, segundo Bárbara. Esse foi o caso da Ana, segundo ela, posteriormente ao exame de toque, no exame de ultrassom vaginal, foi identificado que o útero, intestino e reto estavam sendo afetados.

O tratamento da doença pode ser medicamentoso ou cirúrgico. O uso de medicamentos orais ou injetáveis visa a suspensão da menstruação, melhorando os sintomas e evitando a rápida progressão da doença. “Quadros mais avançados e com muita dor pélvica ou comprometimento intestinal, podem necessitar de cirurgia”, destaca Joice. O tratamento cirúrgico, por videolaparoscopia, permite a biópsia para confirmação diagnóstica e a remoção de implantes. Tal procedimento, pode melhorar o quadro de dor e facilitar a gravidez espontânea ou por tratamento.

O tratamento visa o controle da doença, já que não existe cura para a endometriose. “É uma doença dependente de hormônios e irá acompanhar essa mulher desde a menstruação até a menopausa, quando os hormônios mudam e  os focos de endometriose diminuem, já que não há mais o estímulo hormonal”, explica Joice.

Apesar do caso da maquiadora ser cirúrgico, devido à idade e à sua vontade de gerar filhos, ela optou por não fazer a cirurgia num primeiro momento. “Troquei meu anticoncepcional e tive que começar a controlar as dores durante o período menstrual com anti inflamatórios mais fortes”, relata a mulher, ao dizer que completa o ciclo menstrual de forma desregulada e desde setembro do ano passado e que o remédio também parou de fazer efeito. “Mantenho o anticoncepcional, mas não tomo mais remédios. Fico à base de salonpas para as dores nas costas, ombros e pernas, e bolsa térmica para cólica”, comenta.

Em novembro, quando voltou ao médico, foi sugerido o agendamento da cirurgia de remoção, mas Ana diz estar buscando outras opiniões. “Dei uma pesquisada e gostaria de tentar outros meios de tratamento antes de recorrer para a cirurgia”, finaliza.

Bárbara orienta que as pacientes que desejam engravidar, devem fazer um acompanhamento junto ao seu médico ginecologista especialista em endometriose e reprodução humana, para que esse especialista possa traçar a melhor estratégia de acordo com o grau da doenças, para que a gestação seja viabilizada “seja por meio de cirurgia ou por meio da fertilização in vitro [ tratamento de reprodução humana assistida que consiste em realizar a fecundação do óvulo com o espermatozóide em ambiente laboratorial, formando embriões que serão cultivados, selecionados e transferidos para o útero]”. 

Causas

De acordo com Joice, apesar de existir várias teorias para tentar explicar porque algumas mulheres desenvolvem endometriose e outras não, nenhuma delas consegue realmente dizer qual seria a causa da endometriose. “Não há uma causa bem definida”, afirma.

Bárbara explica que uma dessas teorias é que o refluxo da menstruação poderia contribuir para que essas células da parte interna do útero fossem para a pelve. “Então, a cada mês a gente poderia ter mais contato com essas células endometriais que poderiam se implantar na pelve [estrutura óssea complexa em forma de bacia que abriga e protege os órgãos da região pélvica e acaba se propagando”, explica. Além disso, outras teorias acreditam que as células indiferenciadas da pelve mesmo poderiam se transformar em células endometriais. A hereditariedade também pode estar associada.

Diagnóstico

De acordo com o Ministério da Saúde, a estimativa é de que uma a cada 10 mulheres sofram com os sintomas da doença e desconheçam a sua existência. Em 2021, mais de 26,4 mil atendimentos foram feitos no Sistema Único de Saúde (SUS), e oito mil internações registradas na rede pública de saúde. A partir dos dados, o órgão chama a atenção para o problema e informa os serviços direcionados para a mulher na Atenção Primária à Saúde.

Os atendimentos podem ser realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), bem como exames de diagnóstico, para evitar o agravamento da doença e, caso haja a necessidade de cirurgia, a paciente é encaminhada para um hospital. Os tratamentos para a endometriose podem variar caso a caso, a partir da idade da paciente. Bárbara alerta para o diagnóstico precoce e para a necessidade de iniciar os tratamentos o mais rápido possível. “Então o ideal é que quando a pessoa já está diante de sintomas muito característicos, ela já pense nessa possibilidade da doença e já inicia o tratamento”, alerta.

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