Habib’s entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões
Processo também inclui operações ligadas às marcas Ragazzo e Tendall Grill; grupo afirma que as lojas continuam funcionando normalmente
O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, entrou em recuperação judicial com uma dívida declarada de R$ 265,2 milhões. O pedido foi aceito pela Justiça de São Paulo na segunda-feira (24).
A decisão foi proferida pelo juiz Jomar Juarez Amorim, que nomeou a consultoria KPMG como administradora judicial do processo. A recuperação inclui 178 pessoas jurídicas ligadas ao conglomerado, além dos sócios Alberto Saraiva e Belchior Saraiva.
Entre as empresas abrangidas estão dez franqueadoras e holdings de participação, 17 sociedades responsáveis pela estrutura operacional, seis churrascarias Tendall Grill, 119 lojas Habib’s e 26 unidades do Ragazzo.
A recuperação judicial não significa encerramento imediato das atividades. O mecanismo permite que empresas em dificuldades financeiras negociem dívidas com os credores enquanto mantêm as operações.
Lojas continuam funcionando
Em nota, o Grupo Gennius afirmou que as unidades permanecem abertas, preservando o atendimento aos clientes e a rotina operacional. Segundo a empresa, o pedido tem como objetivo garantir a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo.
A companhia também reiterou o compromisso com a continuidade das marcas e informou que a recuperação não altera, neste momento, o funcionamento dos restaurantes.
Com a decisão, foram suspensas as ações de execução de dívidas contra as empresas incluídas no processo. O juiz também determinou que os credores não interrompam contratos por causa do pedido de recuperação judicial.
Por outro lado, a Justiça negou a liberação de recebíveis bancários cedidos como garantia fiduciária. Nesse tipo de operação, valores a receber são temporariamente transferidos aos credores como garantia de uma dívida.
Grupo explica origem da crise
Nos documentos apresentados à Justiça, o Grupo Gennius atribuiu a crise aos efeitos da pandemia de Covid-19, ao crescimento das plataformas de entrega e ao aumento dos juros.
Segundo o conglomerado, a expansão do delivery prejudicou os resultados das lojas físicas, enquanto a elevação da taxa Selic aumentou os custos para contratar crédito e refinanciar as dívidas existentes.
Antes do pedido de recuperação, o grupo tentou negociar com os credores por meio de um procedimento de mediação. A iniciativa não foi suficiente para solucionar a crise, levando a empresa a optar pela reestruturação judicial.
Agora, o Grupo Gennius terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação. O documento deverá detalhar as medidas previstas para reorganizar as finanças e pagar os credores. Caso o prazo não seja cumprido, a recuperação poderá ser convertida em falência.
Entre as estratégias mencionadas estão a reorganização societária, a abertura de pontos em mercados considerados promissores e a criação de lojas com maior foco nas entregas. Fundado em 1987, o Habib’s é uma das maiores redes brasileiras de restaurantes.
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