Governo Trump acusa Brasil de falhar contra PCC e CV e cobra ação urgente
Documento enviado ao Congresso dos Estados Unidos afirma que facções transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o Brasil de falhar no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). A crítica aparece em um documento enviado pela Casa Branca ao Congresso norte-americano na terça-feira (15).
No relatório, o governo dos Estados Unidos afirma que as duas facções transformaram o Brasil em um centro para o fluxo global de cocaína e representam uma ameaça crescente à paz e à segurança internacionais. “Enquanto muitos governos no Hemisfério Ocidental estão tomando medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar cartéis, o governo do Brasil falhou em confrontar” o PCC e o Comando Vermelho, afirma o documento.
A gestão Trump também cobra que o governo brasileiro adote medidas urgentes contra os grupos. Segundo o texto, as autoridades do país precisam agir para derrotar as organizações antes que elas se espalhem e ganhem ainda mais força.
Brasil ficou fora das listas formais
Apesar das críticas, o Brasil não foi incluído na lista norte-americana de países considerados grandes produtores de drogas ou importantes rotas internacionais do narcotráfico. A relação deste ano possui 23 países, entre eles México, Colômbia, Venezuela, Peru, Bolívia e Equador. A Casa Branca esclarece que a presença na lista não significa necessariamente uma avaliação negativa do governo de cada país, pois fatores geográficos, econômicos e comerciais também são considerados.
O Brasil também não aparece entre os quatro países que, na avaliação de Washington, deixaram de realizar esforços suficientes para cumprir compromissos internacionais de combate às drogas nos últimos 12 meses. Essa classificação foi atribuída ao Afeganistão, à Bolívia, a Mianmar e à Colômbia.
Dessa forma, embora o relatório faça uma crítica direta ao governo brasileiro, o país não foi formalmente classificado pelos Estados Unidos como uma nação que “falhou de forma demonstrável” em suas obrigações antidrogas.
Menção representa mudança
A referência direta ao Brasil representa uma mudança em relação ao relatório anterior. Em 2025, o país não havia sido citado nominalmente. Naquele documento, as principais críticas foram dirigidas a México, China, Colômbia e Venezuela.
A pressão do governo norte-americano sobre o PCC e o Comando Vermelho aumentou em 2026. Em maio, o secretário de Estado Marco Rubio classificou as duas facções como “terroristas globais especialmente designados”. De acordo com o governo dos Estados Unidos, os grupos teriam cometido, tentado cometer ou representariam risco significativo de praticar atos capazes de ameaçar cidadãos norte-americanos ou a segurança nacional, a política externa e a economia do país.
A classificação adotada por Washington não é reconhecida pelo governo brasileiro, que se opõe ao enquadramento das facções como organizações terroristas. O conceito de terrorismo pode variar entre os países e, de maneira geral, envolve ações violentas contra civis com a intenção de intimidar uma população ou governo, normalmente associadas a motivações políticas ou religiosas.
Leia mais:
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.