segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Inédito

Brasil faz história ao colocar pobreza e desigualdade no centro das discussões do G20

Pela primeira vez, temas são tratados como prioridade por líderes das nações mais ricas do mundo; Brasil tem o que celebrar

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em
Brasil faz história ao colocar pobreza e desigualdade no centro das discussões do G20
Foto: Ricardo Stuckert/Pr

A cúpula do G20 começou nesta segunda-feira (18/11) no Rio de Janeiro, colocando a cidade como o centro das atenções globais. Representantes das 19 maiores economias do mundo, além da União Africana, União Europeia e países convidados, se reúnem para debater questões temas nunca antes tratados como prioridade pelo grupo como o combate à fome e à pobreza e a taxação de super-ricos.

O evento recebe políticos importantes como o presidente americano Joe Biden, o chinês Xi Jinping e o argentino Javier Milei. Com a presença de mais de 3 mil jornalistas de 80 países, a imprensa mundial volta seus olhares para o Rio, em busca de captar os embates que vão definir o futuro da governança global.

G20 discute combate à pobreza

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurou os trabalhos com sua principal bandeira, que é histórica – o enfrentamento da fome e pobreza. Ele propôs a criação de uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e defendeu que a escassez de alimentos não é natural, mas resultado de decisões políticas que não enxerga os mais vulneráveis no mundo.

Com base em sua experiência no Brasil — onde o programa Fome Zero, implementado durante seu primeiro mandato, retirou o país do mapa da fome em 2014 —, Lula destacou a necessidade de ações globais para enfrentar o problema. Dados da ONU revelam que, em 2023, mais de 700 milhões de pessoas enfrentavam insegurança alimentar severa no mundo. Para Lula, é inadmissível que ainda hoje países ricos ignorem a situação e não atuem para mitigar este problema.

Leia mais: Lula no G20: Presidente defende reformas globais e critica desigualdades no sistema internacional

Apesar de 82 países já terem aderido à iniciativa – a expectativa é que chegue a 100, o presidente argentino Javier Milei tem tido uma postura polêmica durante o evento. Inicialmente resistiu, provocando críticas em meio à alarmante taxa de pobreza em seu país, que afeta 50% da população. Mas, pressionado pela opinião pública, Milei voltou atrás e confirmou sua adesão.

“A fome é uma vergonha moral e uma falha política. Não podemos ignorar a responsabilidade coletiva de mudar essa realidade”, afirmou Lula, defendendo que a meta da aliança é alcançar 500 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade até 2030.

Taxação dos super-ricos

Outro tema que incendiou os debates foi a proposta de taxação de super-ricos, mencionada pela primeira vez, na história, no documento final do G20. A medida prevê uma taxa de 2% sobre grandes fortunas, com a estimativa de arrecadar 250 bilhões de dólares. Esses recursos seriam destinados a ações climáticas e sociais, promovendo maior justiça econômica pelo mundo.

Embora a proposta tenha recebido apoio de diversos países, incluindo o Brasil, foi alvo de críticas ferrenhas de Milei. O argentino se opôs, alinhando-se à postura do recém-eleito presidente americano Donald Trump, que defende cortes de impostos para os mais ricos. Se a proposta avança, Trump, que é bilionário, será um dos primeiros impactados pelo projeto.

Assim, no G20, Milei tem refletido sua visão libertária, que rejeita a intervenção estatal na economia e articula pelos interesses do seu colega americano. Em setembro, ele já havia criticado o presidente espanhol Pedro Sánchez por defender tributos progressivos. “O socialismo é uma aberração da alma, uma combinação de inveja e ignorância econômica”, disparou Milei em uma rede social, deixando clara sua oposição à redistribuição de riqueza.

Apesar disso, a Argentina havia concordado anteriormente com uma declaração sobre o tema durante a reunião de Ministros de Finanças do G20, realizada em julho.

Tensões

Além das questões econômicas, o encontro revelou tensões entre os líderes. O encontro frio entre Lula e Milei repercutiu em todo o mundo. Nenhum dos dois esboçou qualquer reação ao se encontrar no início da cúpula – nenhum sorriso ou cordialidade nos cumprimentos, simbolismo que reforça a polarização entre a direita e esquerda pelo mundo. No entanto, isso contrasta com o tom colaborativo buscado por outros chefes de Estado, como o americano Joe Biden e o francês, Emmanuel Macron – estes esbanjaram sorrisos ao lado do brasileiro.

Mas, categoricamente, uma coisa pode ser dita: Lula promove uma agenda de justiça social e climática, enquanto Milei reforça uma visão de mercado livre e mínima intervenção estatal, criando atritos que podem dificultar a formação de consensos.

A proposta de taxação, que visa redistribuir riqueza em escala global, também expõe um dilema central: como equilibrar justiça social e crescimento econômico? Para muitos, o G20 é uma plataforma fundamental para debater esses temas, no entanto, a falta de unidade ameaça comprometer os resultados práticos. 

Mas há o que celebrar: pela primeira vez, os olhares dos poderosos estão voltados para a pobreza que assola milhares de pessoas. Se as propostas do presidente Lula avançarem, será uma grande vitória para o Brasil que ficará reconhecido como a nação que lançou luz ao problema. Mas, de qualquer forma, já deixou seu legado à frente do G20: a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza no mundo.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Veja também

obesidade infantil criança

OBESIDADE INFANTIL

Goiás tem quase 44 mil crianças diagnosticadas com obesidade

Dados do Sisvan mostram que 43,9 mil crianças de até dez anos acompanhadas pela rede pública tinh...
Jacqueline diz que eleitor de Wilder pode apoiar Marconi em eventual 2º turno

Entrevista

Jacqueline diz que eleitor de Wilder pode apoiar Marconi em eventual 2º turno

Candidata a vice-governadora pelo PSDB afirma que há “muita sinergia” entre os grupos e aposta ...
Dez anos depois: por onde andam os campeões olímpicos do Brasil na Rio 2016

ouro inédito

Dez anos depois: por onde andam os campeões olímpicos do Brasil na Rio 2016

Atletas que fizeram história nos Jogos Olímpicos realizados no Rio de Janeiro seguiram caminhos di...
Candidatos ao GDF têm sabatinas, carreatas e caminhadas nesta terça-feira; confira agenda

POLÍTICA

Candidatos ao GDF têm sabatinas, carreatas e caminhadas nesta terça-feira; confira agenda

Arruda participou de sabatina na CNN Brasil e faz carreata em Ceilândia; Paula Belmonte cumpre agen...
Fundador da ESPN, Bill Rasmussen, morre aos 93 anos

luto

Fundador da ESPN, Bill Rasmussen, morre aos 93 anos

Criador da maior rede esportiva do mundo faleceu em decorrência de complicações da doença de Par...
Londrina x Atlético-GO: escalações, horário e onde assistir

Série B

Londrina x Atlético-GO: escalações, horário e onde assistir

Dragão busca recuperação na Série B e terá mudanças na equipe para confronto direto no Paraná
Lei Seca muda e fiscalização poderá ter teste para detectar uso de drogas

APROVADAS PELO CONTRAN

Lei Seca muda e fiscalização poderá ter teste para detectar uso de drogas

Novas regras do Contran atualizam os procedimentos de fiscalização de motoristas e preveem equipam...
Flamengo vence o Cruzeiro no Maracanã pelo Brasileiro.Flamengo 2 x 0 CruzeiroFotos - @dhavidnor

copa libertadores

Cruzeiro x Flamengo: escalações, horário e onde assistir

Equipes se enfrentam nesta quarta-feira (12), no Mineirão, pelo jogo de ida das oitavas de final da...