Jacqueline diz que eleitor de Wilder pode apoiar Marconi em eventual 2º turno
Candidata a vice-governadora pelo PSDB afirma que há “muita sinergia” entre os grupos e aposta no agro e no eleitorado feminino para ampliar a força da chapa
Bruno Goulart
A candidata a vice-governadora Jacqueline Zaiden, que compõe a chapa do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) ao governo de Goiás, afirma que entrou na política para ampliar a participação do setor produtivo nas decisões do Estado. Em entrevista ao programa Momento Político, do Grupo O HOJE, conduzida pelos jornalistas Wilson Silvestre e Bruno Costa, Jacqueline também fala sobre a relação com o eleitorado do agronegócio, a disputa com Daniel Vilela (MDB) e Wilder Morais (PL), além das estratégias da chapa para a campanha.
Segundo Jacqueline, a decisão de disputar a eleição nasceu de uma experiência que teve durante a discussão sobre a cobrança de uma taxa para o setor produtivo, o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), que ficou conhecido como “taxa do agro”. Na época, a aliada de Marconi na chapa atuava em uma entidade ligada ao agro, a Associação dos Produtores de Soja, Milho e Outros Grãos Agrícolas do Estado de Goiás (Aprosoja Goiás), e participou de reuniões na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) para tentar impedir a aprovação da medida. A articulação, porém, não avançou.
A experiência fez Jacqueline concluir que precisava ocupar um espaço dentro da política para ter participação direta nas decisões. “Se eu quero fazer parte do processo de decisão, se eu quero que as demandas cheguem onde precisam chegar, eu tenho que sentar na mesa de quem decide, junto com quem decide”, afirma.
Além da atuação no agronegócio, Jacqueline destaca a experiência em outros setores da economia. A candidata já presidiu a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Rio Verde e afirmou que também teve contato com pequenos empresários, comerciantes e industriais. Para Jacqueline, essa trajetória ajuda a explicar a receptividade que tem encontrado durante as primeiras movimentações da campanha.
Agro goiano
A candidata também foi questionada sobre a dificuldade de conquistar o eleitorado do agronegócio, tradicionalmente mais próximo da direita e do bolsonarismo. Isso ocorre em um cenário em que Wilder Morais também busca espaço nesse segmento e apresenta uma candidatura própria ao governo estadual.
Jacqueline diz que tem recebido apoio de produtores que, inicialmente, poderiam votar em outros candidatos. Na avaliação da candidata, o eleitorado do agro está mais dividido atualmente. “Eu acredito que os produtores não estejam todos com Bolsonaro, como se imaginava há uns dois, três anos. Hoje, o negócio está muito pulverizado”, avalia.
Segundo turno
A candidata também avalia um possível segundo turno entre Marconi Perillo e Daniel Vilela. Para Jacqueline, o eleitorado que hoje apoia Wilder Morais pode migrar para a chapa tucana caso Marconi avance para a segunda etapa. “Quando a gente olha o que o grupo do Wilder quer, é muito parecido com o que o nosso busca também. Então, nós temos muita sinergia”, afirma. Jacqueline ainda diz acreditar que, em um eventual segundo turno entre Marconi e Daniel, “o pessoal do Wilder vem com a gente”.
Durante a entrevista, Jacqueline critica a política econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A candidata a vice-governadora na chapa do PSDB cita o impacto dos juros sobre o setor produtivo e o aumento dos problemas financeiros enfrentados por produtores rurais.
Para Jacqueline, o agronegócio tem dificuldade para comunicar à população a importância que possui na economia. A candidata defende uma mudança na forma como o setor apresenta suas pautas e diz que o agro não deve ser associado apenas aos grandes produtores. “O agro está em todo segmento”, afirma. Na avaliação da candidata, a produção rural está ligada a atividades como transporte, comércio, oficinas, borracharias e alimentação.
Jacqueline também defende maior aproximação entre o setor produtivo e a população urbana. Para a aliada de Marconi, é necessário mostrar que a geração de empregos e renda depende diretamente da atividade econômica. “O agro comunica muito mal”, diz. Segundo a candidata, a comunicação do setor muitas vezes passa uma imagem de grandeza e arrogância, o que contribui para afastar parte da população.
“Se a gente quer desenvolver, a gente tem que começar com o pequeno”
Uma das propostas apresentadas pela candidata é ampliar o acesso dos produtores a estruturas de armazenagem, inclusive com utilização de recursos do FCO
Ao falar sobre um eventual governo ao lado de Marconi, Jacqueline coloca infraestrutura e logística entre as principais prioridades. A postulante a vice-governadora defende investimentos em estradas, armazenagem de grãos, energia e segurança jurídica para produtores rurais.
Uma das propostas apresentadas pela candidata é ampliar o acesso dos produtores a estruturas de armazenagem, inclusive com utilização de recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). A ideia, segundo Jacqueline, é permitir que o produtor tenha mais liberdade para escolher o momento de comercializar a produção e, ao mesmo tempo, reduzir o fluxo de caminhões nas rodovias durante a colheita. “Uma vez que o produtor tem armazém na sua fazenda, ele vai comercializar o seu grão no tempo que for ideal para ele e vai desafogar as estradas”, explica.
Jacqueline também defende a reestruturação da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater). Para a candidata tucana, o órgão deve dar prioridade aos pequenos e médios produtores, que têm maior dependência das políticas públicas. “Se a gente quer desenvolver, a gente tem que começar com o pequeno, com o médio que precisa do Estado”, aponta.
Rejeição de Marconi
Outro ponto abordado na entrevista foi a rejeição de Marconi Perillo nas pesquisas eleitorais, principalmente em Goiânia. Jacqueline reconhece que quatro mandatos de governador podem aumentar a rejeição de um político, mas diz não perceber nas ruas o mesmo nível apontado pelos levantamentos. “Quatro mandatos de governador é muito difícil não ter rejeição. É natural”, pondera. Ao mesmo tempo, a candidata relata que Marconi tem sido bem recebido nos locais onde a chapa tem circulado.
A estratégia, segundo Jacqueline, será apresentar uma nova imagem do ex-governador. A peessedebista afirma que Marconi pretende montar uma equipe renovada e não repetir os modelos adotados em administrações anteriores. A candidata também diz acreditar que o ex-governador não pretende disputar uma nova reeleição caso volte ao Palácio das Esmeraldas. Segundo Jacqueline, o objetivo é encerrar a carreira como governador com um último mandato marcado por inovação e formação de novas lideranças.
Presença da vice na campanha
Além disso, Jacqueline aposta na própria presença para ampliar a presença feminina na chapa. A candidata afirma ter percebido uma demanda por maior representatividade entre as mulheres durante os primeiros contatos da campanha. “Eu realmente não acredito nessa rejeição que está na pesquisa, baseado nas ruas, quando a gente anda.” Para Jacqueline, a campanha ainda terá tempo para apresentar as propostas e modificar a percepção do eleitorado sobre Marconi. (Especial para O HOJE)
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