Próximos passos

Queda de ministro pode afetar planos de Caiado

Escolha do novo nome para ministério, mais do que uma nomeação administrativa, será um gesto político com alto valor simbólico

Felipe Cardosopor Felipe Cardoso em
Caiado Foto: Divulgação
Caiado Foto: Divulgação

A denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, movimentou o tabuleiro político de Brasília. Acusado de corrupção, o ministro anunciou, horas depois, que deixaria o cargo. Sua saída não apenas abre uma nova disputa por espaço no governo Lula, como também tem potencial para reconfigurar alianças partidárias com impactos diretos na sucessão presidencial de 2026.

Nos bastidores, a principal dúvida gira em torno de quem ocupará o comando do ministério. O União Brasil, partido de Juscelino, já possui presença expressiva no primeiro escalão — com as pastas do Turismo e dos Esportes — e, agora, tenta manter o controle da Comunicação. Porém, há rumores de que o sucessor possa vir de outra sigla, o que acendeu o alerta entre os líderes da legenda.

Caso o Palácio do Planalto opte por tirar o ministério do União Brasil, o movimento pode provocar um ruído na relação entre o governo e o partido. Lideranças da sigla avaliam que a perda de espaço seria mal recebida por setores internos, enfraquecendo o compromisso do União com o governo federal. 

Um efeito colateral possível seria a aproximação de setores insatisfeitos com o projeto presidencial de Ronaldo Caiado, governador de Goiás e também filiado ao partido. Adversário de Lula, Caiado articula uma candidatura ao Palácio do Planalto em 2026 e, diante de um eventual estremecimento entre a legenda e o governo, poderia ganhar tração interna.

Por outro lado, se o União Brasil for contemplado com a indicação do sucessor de Juscelino, a tendência é de que o partido se consolide como um dos principais pilares da base governista. Isso, na prática, dificultaria o avanço de Caiado dentro da própria sigla. A leitura entre analistas políticos é de que, quanto mais o União Brasil se integra ao projeto de reeleição de Lula, menor a margem para a construção de uma candidatura de oposição dentro da legenda.

Esse cenário foi reforçado recentemente por declarações do ministro do Turismo, Celso Sabino, também do União Brasil. Em entrevista, Sabino afirmou que o projeto de Ronaldo Caiado “não reflete a vontade de todos” dentro do partido, sugerindo que se trata de uma candidatura isolada, sem o respaldo da maioria. A fala foi interpretada como um recado direto ao governador de Goiás e uma sinalização clara de que parte do partido tende a seguir alinhada ao governo federal.

Leia mais: Caiado afirma que PEC da Segurança não combate a criminalidade

Para Lula, manter o União Brasil em sua órbita política tem valor estratégico. A sigla, com forte presença na Câmara e no Senado, pode garantir votos cruciais em pautas de interesse do Planalto. Ao mesmo tempo, a continuidade dessa aliança ajuda a desidratar possíveis adversários em 2026, como é o caso de Caiado, que ainda busca consolidar seu nome no campo da centro-direita.

Nos próximos dias, o governo deve anunciar quem será o novo ministro das Comunicações. A escolha, mais do que uma nomeação administrativa, será um gesto político com alto valor simbólico. Optar por manter a pasta com o União Brasil significaria preservar a aliança e evitar atritos que poderiam fortalecer adversários. Já ceder o cargo a outro partido poderia abrir espaço para insatisfações, colocando em risco a coesão da base e alimentando projetos alternativos à reeleição de Lula.

Enquanto isso, Ronaldo Caiado segue em campanha informal. Confia em sua gestão em Goiás e em seu histórico político para se apresentar como uma alternativa à polarização entre Lula e o bolsonarismo. Mas seu principal desafio, neste momento, é conquistar o próprio partido. E isso passa diretamente pela decisão sobre o futuro das Comunicações.

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