Detran-GO suspende penalização de motoristas e médicos credenciados retomam atendimentos após paralisação
Suspensão temporária de penalizações garante segurança jurídica aos condutores enquanto categoria negocia reajuste histórico de honorários
A paralisação dos médicos credenciados pelo Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) trouxe impactos significativos no atendimento de exames médicos para obtenção e renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Desde 15 de agosto, milhares de motoristas não conseguiram realizar os procedimentos. Para minimizar os prejuízos, uma portaria publicada na sexta-feira (5) garantiu que condutores com CNH vencida há mais de 30 dias não sofrerão penalizações até o fim do movimento.
O Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) informou que, em Assembleia Geral Extraordinária, mais de 90% dos profissionais decidiram retomar os atendimentos a partir de quarta-feira (10). A suspensão da greve, válida até 24 de setembro, é vista como um gesto de boa-fé para dar continuidade às negociações com o Governo Estadual. “A paralisação cumpriu seu papel de chamar atenção para nove anos sem reajuste dos honorários e para a valorização da categoria”, afirmou o diretor de comunicação do sindicato, Dr. Diolindo Freire.
Apesar do retorno, os médicos reforçam que não abriram mão de suas reivindicações. O foco principal do movimento é o reajuste dos honorários, congelados há quase uma década. A categoria cobra a aplicação da CBHPM/2022 ou de índices oficiais como IGP-M e SINAPI, além da nomeação de um responsável técnico no Detran-GO, redistribuição justa de agendamentos nos Vapt Vupt e revogação da Portaria nº 561/2025. O sindicato ainda ressalta que, caso não haja avanços concretos, a greve poderá ser retomada após nova Assembleia marcada para 29 de setembro.
Enquanto isso, o Detran-GO já prepara a retomada dos exames em cinco unidades do Vapt Vupt de Goiânia: Shopping Bougainville, Cidade Jardim, Praça da Bíblia, Praça Cívica e Shopping Passeio das Águas. O órgão também estuda liberar a realização de exames diretamente pelos médicos credenciados, sem intermediação de clínicas, para agilizar o atendimento.
A autarquia, no entanto, mantém posição contrária ao aumento dos valores cobrados, sob o argumento de que isso elevaria o custo final da CNH, hoje entre R$ 2.500 e R$ 5.000.
A expectativa é que o retorno gradual dos atendimentos reduza a fila de motoristas e abra espaço para avanços nas negociações. De um lado, o Simego busca recomposição justa de perdas e melhores condições de trabalho. Do outro, o Detran-GO reforça a necessidade de manter a CNH acessível, destacando que o documento representa inclusão social e acesso ao mercado de trabalho. Até que haja uma solução definitiva, a categoria segue mobilizada e vigilante.
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