Incêndio em bar na Suíça pode ter sido causado por velas em garrafas de champanhe
Autoridades investigam incêndio em Crans-Montana que matou 40 pessoas e feriu outras 119 durante a virada do Ano Novo
O incêndio que deixou ao menos 40 mortos e 119 feridos em um bar na estação de esqui de Crans-Montana, na Suíça, pode ter começado após velas de faísca — conhecidas no Brasil como vela vulcão — colocadas em garrafas de champanhe entrarem em contato com o teto do estabelecimento.
A informação foi confirmada nesta sexta-feira (2/1) pela procuradora-geral do cantão de Valais, Beatrice Pilloud. Segundo ela, após o contato das velas com o teto, o fogo se espalhou rapidamente pelo ambiente. Vídeos do momento foram analisados e testemunhas estão sendo ouvidas.
Relatos colhidos pelo canal francês BFMTV indicam que uma das garçonetes teria colocado velas em garrafas de champanhe e erguido uma delas muito próxima ao teto, o que pode ter dado início às chamas. Os dois gerentes franceses do bar também foram entrevistados pelas autoridades, assim como pessoas que conseguiram escapar.
Imagens analisadas e investigação
Imagens compartilhadas online, supostamente registradas no início do incêndio na noite de Ano Novo, mostram pessoas erguendo garrafas com velas acesas e sinais de fogo no teto. As autoridades verificaram versões anteriores na internet e não encontraram registros anteriores a 1º de janeiro. Ferramentas de detecção indicaram ausência de manipulação por IA, embora uma delas aponte edição comum; análises adicionais não encontraram adulterações digitais.

Entenda por que o fogo se espalhou rápido
Um especialista ouvido pela BBC apontou o fenômeno conhecido como flashover como possível explicação para a rápida propagação. Em entrevista ao programa The World Tonight, Richard Hagger, presidente da Associação Britânica de Investigadores de Incêndios, explicou que o calor pode se acumular no teto e irradiar para baixo, atingindo materiais combustíveis e levando à ignição quase simultânea do ambiente em poucos segundos.
Vítimas de várias nacionalidades
Entre os feridos, há 71 suíços, 14 franceses, 11 italianos, além de cidadãos da Sérvia, Bósnia, Bélgica, Luxemburgo, Polônia e Portugal. Outros 14 feridos ainda não tiveram a nacionalidade divulgada. Parte das vítimas é muito jovem, com idades entre 15 e 25 anos, segundo autoridades médicas de Genebra.
O trabalho de identificação das vítimas segue em andamento. O chefe do governo regional, Mathias Reynard, afirmou que o processo “vai levar tempo” e reconheceu a angústia das famílias.
Comoção e homenagens
A área do bar foi isolada e transformada em local de investigação. Do lado de fora, moradores e turistas deixaram velas, flores e mensagens em homenagem às vítimas. Apesar de ser um resort internacional, Crans-Montana vive um clima de comunidade unida; muitos moradores relataram conhecer alguém que estava no bar no momento do incêndio.

O bar Le Constellation, descrito por jornalistas como um ponto tradicional da cidade, reunia turistas e moradores na celebração de Ano Novo. Testemunhas relataram momentos de desorientação e correria durante o incidente, além de apoio prestado por estabelecimentos vizinhos que ofereceram abrigo e aquecimento aos sobreviventes, incluindo uma agência local do UBS.
Repercussão internacional
O Ministério das Relações Exteriores da Itália informou que 16 italianos estão desaparecidos, e três feridos foram transferidos para hospitais em Milão. A França declarou oito cidadãos desaparecidos. O clube francês FC Metz confirmou que um atleta da base está entre os feridos e foi transferido para a Alemanha.
O presidente da Suíça, Guy Parmelin, classificou o episódio como “uma das piores tragédias que o país já viveu”. As investigações continuam para confirmar as causas e responsabilidades pelo incêndio.
Governo brasileiro se manifesta
Em nota, o Brasil expressou pesar pelas mortes e manifestou solidariedade às vítimas, aos familiares e ao povo suíço, além de condolências ao governo do país europeu.
Segundo o comunicado oficial, não há registro, até o momento, de vítimas brasileiras entre os mortos ou feridos.