Caiado, Zema e Ratinho Jr. diante de ascensão de Flávio Bolsonaro
Governadores tentam fazer vingar a tese da terceira via, que fica cada vez mais improvável com a polarização eleitoral entre PT e PL
Os governadores Ronaldo Caiado (UB), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Júnior (PSD-PR) passaram a ter desafios em comum após a confirmação de uma pré-candidatura apoiada pelo ex-presidente Bolsonaro (PL). A entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Palácio do Planalto fez com que outros nomes da direita ficassem em segundo plano. Pelo menos até o momento.
Um dos principais obstáculos dos governadores é a tentativa de consolidar uma candidatura de terceira via. Desde o surgimento do bolsonarismo, a hipótese passou a ser algo praticamente impossível de ser cogitado, já que o sobrenome Bolsonaro na disputa rivaliza com o nome do PT na eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A polarização entre Partido Liberal e Partido dos Trabalhadores beneficia Flávio. Ao confirmar sua pré-candidatura, o senador passou a ser considerado um dos mais importantes adversários de Lula. O petista adotou uma estratégia inesperada, que foi a de escolher o chefe do Executivo mineiro, Zema, como seu oponente, mas a iniciativa parte da necessidade de Lula em garantir um acúmulo de forças no Estado. Atrás apenas de São Paulo, Minas tem o segundo maior colégio eleitoral do País.
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Assim, mesmo ao celebrar uma aprovação de 80%, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ainda não conseguiu alcançar a visibilidade de Zema, escolhido por Lula para ser seu adversário.
Da mesma forma que o governador de Minas Gerais e os demais pré-candidatos, com exceção de Flávio, Caiado carrega um problema que é o de não conseguir transformar sua pré-candidatura conhecida e viável nacionalmente.

Obstáculos para Caiado
O goiano enfrenta dificuldade em viabilizar seu nome no próprio partido, o União Brasil. A pré-candidatura de Caiado enfrenta problemas com aliados nacionais da sigla, como o PP, do senador Ciro Nogueira (PI), que articula a formalização de uma federação com a legenda do governador.
O União Brasil, que havia se descolado do governo Lula após a expulsão do então ministro do Turismo, deputado federal Celso Sabino (PA), indicou Gustavo Feliciano no final de dezembro de 2025 para voltar à base do Palácio do Planalto e reassumir a pasta.
A alta aprovação da gestão de Caiado e o discurso de combate à criminalidade são pontos que colaboram para a construção da imagem do governador como pré-candidato à Presidência da República.
Porém, a aposta de Caiado de que múltiplas candidaturas de direita podem enfraquecer Lula ainda segue sem qualquer indício nas pesquisas eleitorais. Entre Zema, Caiado ou Ratinho, o governador do Paraná tem a maior possibilidade de optar por não dar prosseguimento à disputa pelo Palácio do Planalto, apesar de seu forte capital político.

É que o governador do Paraná está bem posicionado para o Senado, o que tende a não ser uma tarefa fácil. Ao contrário de Ratinho Jr., Romeu Zema, pelo menos até aqui, não pretende desistir de disputar a Presidência da República contra Lula.
Mesmo sem dar sinais neste sentido, o mais provável dos cenários até agosto, fim do prazo para as convenções partidárias, é que Zema desista da corrida ao Palácio do Planalto para ocupar a vaga de vice de outro nome da direita melhor posicionado nas pesquisas do que o mineiro, como Flávio ou Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).

Propósito do bolsonarismo
No final das contas, a tendência do bolsonarismo é inviabilizar as pré-candidaturas de Caiado, Zema e Ratinho, apesar de alguns grupos apostarem na disposição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em disputar o cargo de presidente, por mais que o chefe do Palácio dos Bandeirantes tenha sinalizado interesse em se reeleger no Executivo estadual.
“A grande dificuldade que todos esses pré-candidatos enfrentam [com exceção de Flávio] é a complexidade de engajamento de uma terceira via e mostrar que existe um projeto que vai além dos apresentados pelos principais concorrentes”, avalia o cientista político Lehninger Mota.
O cientista político aponta as dificuldades que cada governador possui e que prejudicam a concorrência com Lula pelo Palácio do Planalto. “Caiado é bem avaliado, mas é governador de um Estado que representa apenas 3% do eleitorado. Zema é governador de uma população que compõe o segundo maior colégio eleitoral do País, mas sua gestão não é bem avaliada. E Ratinho Júnior tem grandes dificuldades de se mostrar um nome bem aprovado pela direita”, pontua Mota. (Especial para O HOJE)