Lewandowski entrega carta de demissão e deixa Segurança Pública
Troca no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública ocorre com PEC da Segurança parada e tema no centro do debate de 2026
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta quinta-feira (8), sua carta de demissão do cargo. A exoneração ainda não foi formalizada no Diário Oficial da União (DOU), mas a expectativa no Palácio do Planalto é que a publicação ocorra nos próximos dias.
Lewandowski apresentou o pedido antes de participar, ao lado de Lula, da cerimônia que marcou os três anos dos atos golpistas de 8 de Janeiro, quando reforçou publicamente que crimes contra o Estado Democrático de Direito não podem ser anistiados. Na carta encaminhada ao presidente, o ministro agradeceu a confiança e afirmou que a decisão foi motivada por razões pessoais, com foco no cuidado com a família, especialmente os netos.
A saída já era esperada dentro do ministério. Desde dezembro de 2025, Lewandowski vinha comunicando a auxiliares a intenção de deixar o cargo e, ao longo desta semana, iniciou a retirada de seus pertences da sede da pasta. Interlocutores relataram que houve sugestões para que o ministro aguardasse o avanço da PEC da Segurança no Legislativo, mas ele optou por antecipar a decisão diante do calendário político e do recesso parlamentar.
Com a vacância, o secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto assumirá o comando do ministério de forma interina, enquanto o Planalto avalia um nome definitivo. Entre os mais citados está o jurista Wellington César Lima e Silva, que já comandou o Ministério da Justiça durante o governo Dilma Rousseff (PT) e mantém boa interlocução com Lula e com setores do governo na Bahia.
Integrantes da cúpula do ministério afirmam que a mudança pode desencadear uma reformulação mais ampla na pasta, com a possibilidade de saída de outros auxiliares próximos a Lewandowski, incluindo o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo – cenário ainda não confirmado oficialmente.
Nos bastidores do PT, a demissão também reacende a discussão sobre o desmembramento da pasta e a criação de um Ministério exclusivo da Segurança Pública. A proposta já foi defendida pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva, como uma resposta política à preocupação do eleitorado com a violência e o crime organizado. Com a saída de Lewandowski, cresce a expectativa pela definição do sucessor e pelo rumo que o governo dará à principal agenda sensível do ano eleitoral.
Lewandowski assumiu o Ministério da Justiça e Segurança Pública em fevereiro de 2024, após se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF), em um movimento que envolveu a ida de Flávio Dino para a Corte. Sua saída ocorre em um contexto de forte centralidade da pauta da segurança pública no debate nacional e regional, impulsionada pelo avanço de organizações criminosas e pelo peso do tema no ano eleitoral de 2026.
Segundo aliados, Lewandowski deixa o cargo com a avaliação de “dever cumprido”.