China promete apoiar o Brasil em tempos “turbulentos”
Conversa por telefone reforça cooperação e defesa do papel central da ONU no sistema internacional
O presidente da China, Xi Jinping, afirmou na quinta-feira (22), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que Pequim apoia o Brasil e os países do Sul Global e defendeu atuação conjunta para preservar “o papel central” das Nações Unidas na “atual conjuntura internacional turbulenta”. A conversa telefônica entre os dois líderes foi divulgada primeiro pela agência estatal chinesa Xinhua e depois confirmada pelo Palácio do Planalto.
De acordo com comunicações oficiais chinesas, Xi defendeu que os dois países atuem de forma coordenada diante do que classificou como um ambiente global instável. Para o líder chinês, Brasil e China devem se posicionar “no lado correto da história” e exercer influência como integrantes do Sul Global. Ele também rejeitou a ideia de que seu país represente risco internacional, afirmando que a “ameaça chinesa” é “totalmente infundada”.
As declarações incluíram críticas a “acusações sem fundamento” e à criação de justificativas para “buscar benefícios egoístas”, em referência indireta a falas recentes de líderes ocidentais. Xi voltou a defender a manutenção do papel central das Nações Unidas, a proteção dos interesses de países em desenvolvimento e mudanças na estrutura de governança internacional.

Isenção de vistos a cidadãos da China
A ligação foi divulgada primeiro pela Xinhua durante a madrugada. O Palácio do Planalto confirmou o telefonema e informou que a conversa durou cerca de 45 minutos. Segundo o governo brasileiro, Lula anunciou que concederá isenção de algumas categorias de vistos de curta duração a cidadãos chineses, em reciprocidade à medida adotada pela China desde 2025.
A conversa ocorreu após Lula criticar em artigo de opinião publicado no The New York Time, o ataque dos Estados Unidos à Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro.
Ainda, entre ocorreu no mesmo dia em que Donald Trump lançou o “Conselho da Paz”, estrutura criada para supervisionar a Faixa de Gaza e a reconstrução do território palestino. Iniciativa para a qual Brasil e China foram convidados, mas sem confirmação de adesão.