terça-feira, 10 de março de 2026
ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS

Plano dos EUA para PCC e CV lembra operação na Venezuela

Avaliação para classificar facções como terroristas ocorre após medida semelhante anteceder ação dos EUA na Venezuela

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 10 de março de 2026
Donald Trump e Marco Rubio durante operação na Venezuela
Donald Trump e Marco Rubio durante operação que resultou na prisão de Maduro (Foto: Divulgação/ Casa Branca)

O governo dos Estados Unidos avalia classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla dos EUA para ampliar o combate ao tráfico internacional de drogas na América Latina.

A proposta ganhou força dentro do governo americano e tem como um de seus principais defensores o secretário de Estado Marco Rubio. Segundo a GloboNews, a ideia de incluir as duas facções na lista de organizações terroristas estrangeiras já está avançada e deve ser encaminhada ao Congresso dos Estados Unidos para ratificação nos próximos dias.

Ainda segundo o veículo, no domingo (8), o chanceler Mauro Vieira conversou por telefone com Rubio e tratou, entre outros assuntos, da iniciativa. A classificação das facções deve ainda integrar as discussões em um encontro previsto entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington, embora a reunião ainda não tenha data confirmada.

Designação do Cartel de los Soles como terrorista

Desde o início do segundo mandato de Trump, em 2025, os Estados Unidos designaram 25 organizações estrangeiras como terroristas. Em novembro do ano passado, o Cartel de los Soles, grupo venezuelano que Washington afirma ser chefiado pelo então presidente Nicolás Maduro, recebeu essa classificação. Na ocasião, Trump declarou que a medida dava aos EUA poder para atacar alvos ligados ao grupo em território venezuelano.

A decisão foi seguida por uma operação militar dos EUA na Venezuela, que resultou na captura de Maduro, acusado pelos norte-americanos de envolvimento com o tráfico internacional de drogas.

Nicolás Maduro após ser capturado pelos EUA
Nicolás Maduro após ser capturado pelos EUA (Foto: Reprodução)

De acordo com a legislação dos EUA, o Secretário de Estado pode classificar grupos como terroristas após consulta aos departamentos de Justiça e do Tesouro. A designação abre caminho para sanções financeiras, restrições migratórias e outras medidas legais contra integrantes ou colaboradores das organizações.

Na prática, a classificação pode permitir ações unilaterais fora do território norte-americano, dependendo da interpretação da legislação. Esse ponto tem gerado preocupação em setores da política brasileira, que veem risco de interferência externa.

Presidente do PT critica ação dos EUA

O presidente do PT, Edinho Silva, criticou a possibilidade de enquadramento das facções como organizações terroristas e afirmou que a medida poderia representar ameaça à soberania nacional. Em vídeo divulgado nas redes sociais, na segunda-feira (9), ele citou mudanças na legislação americana após os ataques de 11 de setembro de 2001.

Segundo o petista, após o ataque os EUA passaram “a estabelecer que eles podem atuar em qualquer território, em qualquer país, para enfrentar organizações terroristas, quando elas, de alguma forma, afetam seus interesses”.

Presidente do PT afirma que Brasil já combate o crime organizado e critica proposta discutida nos EUA
Presidente do PT afirma que Brasil já combate o crime organizado e critica proposta discutida nos EUA (Foto: Reprodução)

Edinho também afirmou que o combate às facções já ocorre no Brasil e mencionou investigações conduzidas pela Polícia Federal, como a Operação Carbono Oculto, que apura um esquema bilionário de sonegação fiscal, fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis associado ao PCC.

“Nós sabemos que o PCC e o Comando Vermelho são organizações criminosas. São traficantes que atuam no Brasil e, inclusive, em boa parte do mundo. Como são todas as organizações criminosas do mundo, inclusive as dos Estados Unidos. E é por isso que estamos tomando medidas para derrotar o PCC e o CV”, afirmou.

Ele reforçou a crítica ao defender a autonomia do país diante da discussão. “Em defesa da soberania do Brasil e da nação brasileira: o Brasil não é um puxadinho do Trump”, declarou.

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