EUA utilizam superbomba “antibunker” contra o Irã no Estreito de Ormuz
Governo afirma que ofensiva mirou mísseis iranianos que ameaçavam navios e a navegação internacional no estreito
Os Estados Unidos realizaram, na terça-feira (17), um ataque aéreo contra posições de mísseis iranianos no entorno do Estreito de Ormuz, utilizando bombas de penetração profunda conhecidas como “antibunker”. A ação, confirmada pelo Comando Central das Forças Armadas norte-americanas (Centcom), teve como objetivo neutralizar ameaças à navegação e tentar reabrir a rota marítima, bloqueada pelo Irã desde o início do conflito com EUA e Israel, em 28 de fevereiro.
Segundo o Centcom, “as forças norte-americanas empregaram com sucesso múltiplas munições de penetração profunda de 5.000 libras [cerca de 2.300 kg] contra posições fortificadas de mísseis iranianos ao longo da costa do Irã, perto do estreito de Ormuz. Os mísseis de cruzeiro antinavio iranianos nessas posições representavam um risco para a navegação internacional no estreito”.
O Estreito de Ormuz, com cerca de 33 quilômetros de largura, é uma das principais rotas globais de transporte de petróleo. Pelo local passam mais de 14 milhões de barris por dia, o que torna o bloqueio uma ferramenta de pressão econômica relevante. A interdição foi adotada por Teerã como resposta aos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel, ampliando os impactos do conflito no mercado internacional de energia.
Superbomba de penetração profunda GBU-72
As bombas utilizadas no ataque foram identificadas por um militar à CNN como o modelo GBU-72 Advanced 5K Penetrator. Esse tipo de armamento é projetado para atingir estruturas altamente protegidas, como bunkers e instalações subterrâneas, sendo capaz de atravessar camadas espessas de concreto antes de detonar. A explosão ocorre apenas após a penetração no alvo, concentrando o impacto e ampliando o poder destrutivo em profundidade.
Além da capacidade de perfuração, a GBU-72 utiliza um kit de orientação por GPS, conhecido como Joint Direct Attack Munition (JDAM), que permite maior precisão e operação em diferentes condições climáticas. Ao contrário de modelos anteriores guiados a laser, esse sistema não depende de visibilidade direta do alvo, podendo ser empregado mesmo com presença de nuvens, fumaça ou outros elementos que dificultem a visualização.
Desenvolvida como uma evolução da GBU-28, a bomba foi testada pela primeira vez em 2021 e é considerada mais letal. Seu custo estimado é de 288 mil dólares por unidade.
Estreito de Ormuz
O governo iraniano afirmou na segunda-feira (16) que o Estreito de Ormuz “não está fechado”, mas opera sob “condições especiais”. Segundo autoridades do país, apenas um número limitado de embarcações tem recebido autorização para atravessar a rota desde o início da guerra.
O bloqueio do Estreito de Ormuz, reduziu o fluxo de navios e provocou impacto no mercado internacional. A passagem liga o Golfo de Omã ao Golfo Pérsico e concentra cerca de 20% do petróleo transportado no mundo, além de parcela significativa do comércio internacional de gás natural, com destino principalmente a países asiáticos.