terça-feira, 24 de março de 2026
Candidato goiano

Após desistência de Ratinho Júnior, PSD deve lançar Caiado à Presidência

Saída do favorito muda planos do partido e abre caminho para o governador de Goiás, que deve ser anunciado nos próximos dias

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 24 de março de 2026
Após desistência de Ratinho Júnior, PSD deve lançar Caiado à Presidência
Até poucos dias atrás, Ratinho era o nome mais forte do PSD para a eleição presidencial. Foto: Maju Soares/O Hoje

Bruno Goulart

A desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), de disputar a Presidência da República provocou um//a reviravolta nos planos do partido e deve levar à escolha do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como candidato ao Palácio do Planalto. A decisão já está tomada dentro da sigla, e o anúncio oficial deve ser feito ainda nesta semana./

Até poucos dias atrás, Ratinho era o nome mais forte do PSD para a eleição presidencial. Além de estar há mais tempo no partido, ele também aparecia melhor posicionado nas pesquisas. Levantamento recente indicava 7% das intenções de voto, à frente de outros nomes da legenda, embora ainda distante dos líderes da corrida: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 46%, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 43%.

Mesmo com esse cenário, o governador decidiu recuar. Em nota, afirmou que tomou a decisão após “profunda reflexão com sua família”. Nos bastidores, no entanto, a avaliação é de que o movimento foi estratégico e pensado principalmente no futuro político dentro do Paraná.

Ratinho já teria comunicado a decisão ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Com isso, o caminho ficou livre para Ronaldo Caiado, que agora é tratado como candidato natural da sigla. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que também era pré-candidato, já foi informado e deve ficar fora da disputa interna.

Saída de Ratinho Jr

A saída de Ratinho acontece em um momento de mudanças no cenário político, especialmente no campo da direita. Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro declarou apoio ao nome de Sergio Moro para o governo do Paraná. A movimentação aumentou a pressão no Estado e foi vista como mais um fator que pesou na decisão do governador paranaense.

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Para o estrategista político Marcos Marinho, a desistência mostra que Ratinho fez uma escolha calculada. “Ele tem mais confiança em manter seu espaço político no Paraná, elegendo o próprio sucessor. Para isso, precisa se dedicar à disputa estadual”, explica.

Segundo Marinho, entrar de vez na corrida presidencial poderia trazer riscos. “Ele percebeu que a chance de perder espaço no próprio estado não compensava. Como ainda é jovem, pode esperar um cenário mais favorável no futuro”, afirma.

O analista avalia que a decisão também leva em conta o atual quadro eleitoral, ainda muito polarizado. “Hoje, a disputa está concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Para um nome novo crescer, seria necessário tempo e uma estratégia muito bem ajustada”, completa.

Caiado tem potencial para crescer

Com a saída de Ratinho, Caiado ganha espaço e passa a ser o principal nome do PSD na eleição. Diferente dos outros pré-candidatos, ele vinha se movimentando mais no cenário nacional, com discursos mais firmes e participação em agendas fora de Goiás.

Para Marinho, Caiado tem potencial de crescimento, mas precisa calibrar o discurso. “Ele pode atrair eleitores que não se identificam nem com Lula nem com Bolsonaro. Mas, para isso, precisa evitar radicalização. Se for muito agressivo, tende a não avançar”, avalia.

O especialista em políticas públicas Tiago Zancopé também vê oportunidade, desde que o governador saiba explorar seus pontos fortes. “Caiado precisa reforçar a narrativa da segurança pública e mostrar que é um gestor que entrega resultados. Goiás tem sido usado como exemplo nesse sentido”, afirma.

Zancopé acredita que o governador pode ocupar um espaço importante na disputa, principalmente entre eleitores que buscam uma alternativa fora da polarização. “Se ele se apresentar como um candidato de direita, mas equilibrado, pode crescer. Ainda mais por não carregar desgastes ou escândalos. Diria que pode conquistar um terceiro lugar”, diz.

Outro ponto que pode ser explorado é a capacidade de gestão. A realização de eventos internacionais, como o MotoGP em Goiás, é vista como vitrine para projetar Caiado nacionalmente. A estratégia deve destacar a atração de investimentos e a organização do estado.

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