segunda-feira, 6 de julho de 2026
Estratégia eleitoral

Comunicação de Caiado deve evitar confronto com bolsonarismo

Governador goiano deve adotar estratégia de direita moderada e ampliar visibilidade nacional; especialista alerta para risco em fugir do embate com Flávio Bolsonaro

Thiago Borgespor Thiago Borges em 26 de março de 2026
Comunicação de Caiado deve evitar confronto com bolsonarismo
Caiado pode ser oficializado pré-candidato ao Palácio do Planalto ainda neste mês | Foto: Divulgação

Com a desistência do governador do Paraná, Ratinho Junior, em disputar a Presidência da República pelo PSD, o nome do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ganhou tração dentro da cúpula do partido. A tendência é que Caiado seja oficializado como pré-candidato ao Palácio do Planalto ainda neste mês, o que acelera não apenas as articulações políticas, mas também as definições de estratégias de comunicação.

Oficialmente, a assessoria do governador nega qualquer movimento a respeito de definições sobre a comunicação de Caiado e afirma que as estratégias serão traçadas somente após a oficialização da escolha de Gilberto Kassab, caso o governador seja o escolhido para representar o PSD.

Porém, segundo informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, as estratégias já teriam sido definidas. A leitura predominante é de que a propaganda de Caiado tentará apresentar o governador como um nome da direita moderada para se diferenciar do bolsonarismo mais radical. A estratégia passa por ampliar o conhecimento nacional sobre sua gestão em Goiás, com foco em áreas como segurança pública, educação e saúde.

Ao mesmo tempo, a comunicação deve evitar ataques diretos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também pré-candidato ao Planalto. “Atacar o Flávio é dar tiro no pé”, disse um aliado do governador para o colunista. A avaliação é de que o confronto direto não é a estratégia ideal para o governador.

No entanto, para o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e doutorando em Ciência Política na Universidade de Brasília (UnB), Guilherme Carvalho, essa estratégia carrega riscos estruturais. Segundo o cientista, a tentativa de construir uma “terceira via” em sistemas presidencialistas como o brasileiro tende a esbarrar na lógica de polarização.

“A literatura da ciência política internacional mostra que, em sistemas com dois turnos, há uma tendência à concentração de forças em dois polos”, afirma Carvalho, em conversa com a reportagem do O HOJE.

“O Caiado sempre foi da direita tradicional brasileira. Em 1989, não havia ninguém mais à direita de Caiado, nem entre os nomes que estavam disputando aquela eleição e nem no espectro político institucional. Ele buscar ser um caminho de terceira via é um tiro no pé”, destaca Guilherme.

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Estratégia de evitar o confronto

Na avaliação do professor, ao evitar o confronto direto com o senador, o governador pode acabar por abrir mão justamente do eleitorado que precisa conquistar para se viabilizar. O cientista ressalta que o governador está se viabilizando institucionalmente, porém, falta se viabilizar no campo político nacional.

“O adversário do Caiado é o Flávio. O adversário dele no primeiro turno não é o Lula. Ele não disputa voto à esquerda. Se não disputar o eleitor de direita com o Flávio, ele vai crescer por onde? É o Flávio que detém o voto que o Caiado deveria estar buscando, que é o voto da direita tradicional”, avalia Carvalho.

O cientista ainda frisa o fato de que apenas o eleitor que acredita em uma “terceira via” não é o suficiente. “As pesquisas mostram que esse eleitor não é muito mais do que 12%. 12% não é suficiente para ir para o segundo turno. Se ele não tiver o eleitor de direita, não vai conseguir emplacar.”

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