quarta-feira, 8 de abril de 2026
Transporte público

Novo Padre Pelágio marca conclusão do BRT e inaugura nova fase do transporte em Goiânia

Entrega marca fim das reformas no BRT Leste-Oeste, com investimentos em infraestrutura, renovação da frota e aposta em ônibus movidos com combustíveis renováveis

João Césarpor João César em 28 de março de 2026
Transporte
Além das obras no sistema de transporte público, também foi anunciada a construção da primeira usina de biometano de Goiás e do primeiro gasoduto do Estado - Foto: Júnior Guimarães

A entrega do novo Terminal Padre Pelágio na última sexta-feira (27) marcou a etapa final de um processo de reestruturação do transporte coletivo em Goiânia e na Região Metropolitana, que consolida a conclusão das obras do corredor BRT Leste-Oeste no Eixo Anhanguera. A inauguração simboliza o fechamento de um ciclo de intervenções que modernizaram completamente a principal via do transporte público da Capital.

Totalmente reconstruído em menos de 11 meses, o Terminal Padre Pelágio recebeu investimento de R$ 30,5 milhões e passou a contar com estrutura ampliada e novos serviços. O espaço, que atende cerca de 65 mil passageiros por dia, agora dispõe de centro comercial popular, usina fotovoltaica, totens digitais e um sistema de segurança reforçado com 121 câmeras com reconhecimento facial, o que amplia o controle e a segurança no local.

A entrega do terminal ocorreu após uma sequência de obras realizadas ao longo do corredor Anhanguera, dentro dos projetos Nova Anhanguera e Nova RMTC. Antes dele, foram concluídas as reconstruções dos terminais Novo Mundo, Praça da Bíblia, Dergo, Senador Canedo e Praça A, além da requalificação das 19 estações do BRT. As intervenções incluíram ampliação de áreas, modernização de plataformas, instalação de iluminação em LED, sistemas de monitoramento e melhorias na acessibilidade.

Para o governador Ronaldo Caiado (PSD), o terminal entregue nesta semana está qualificado em um alto padrão, onde foi priorizada a qualidade e o cuidado com a mobilidade urbana.

O conjunto de obras foi pensado para solucionar problemas do sistema de mobilidade urbana, que ficou cerca de duas décadas sem investimentos estruturais. “Quando eu assumi o governo, todos os meus secretários falavam ‘não mexa com isso’, ‘deixa isso pra lá’. Naquele momento, eu determinei com meu secretário Adriano da Rocha Lima e nós fizemos uma reunião com todos os empresários do setor e os prefeitos das maiores cidades da Região Metropolitana. A partir dali nós fizemos tudo que vocês estão vendo”, disse Caiado durante a entrega do Terminal Padre Pelágio.

Mudanças

A estratégia para a mudança do transporte coletivo não envolveu apenas a reconstrução física dos terminais, mas também houve mudanças operacionais, como reorganização dos pontos de parada, intervenções no pavimento e priorização do transporte coletivo no tráfego urbano com o objetivo de reduzir o tempo de viagem e aumentar a regularidade das linhas.

Além da infraestrutura, também foi modernizada a frota de ônibus disponíveis. Ao longo das entregas, foram incorporados ônibus com ar-condicionado, wi-fi e equipamentos de acessibilidade, além da introdução de veículos elétricos no sistema. Agora, com a entrega do Terminal Padre Pelágio, a gestão estadual também apresenta uma nova frente tecnológica: os primeiros ônibus articulados movidos a biometano em operação regular no Brasil, que passam a integrar o corredor BRT.

Durante a solenidade foi destacada a importância da iniciativa de investir no biometano e na descarbonização na frota dos ônibus do transporte coletivo. “Nós começamos com os ônibus diesel Euro 6, partimos para os ônibus elétricos e finalmente nós colocamos os ônibus a biometano. Porque um Estado que tem a produção agrícola como o Estado de Goiás gera a matéria-prima necessária para a produção do combustível mais sustentável, mais ecologicamente correto que nós temos, que é o biometano, com produção 100% nacional, tanto do combustível como também dos veículos, que são movidos a biogás e a biometano”, frisou o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima.

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Foto: Júnior Guimarães

Gasoduto

Também foi anunciada a implantação da primeira usina de biometano de Goiás e do primeiro gasoduto do Estado no município de Guapó, em parceria com empresas do setor. A iniciativa amplia a estratégia de sustentabilidade do transporte coletivo, ao diversificar a matriz energética e reduzir a emissão de poluentes. Além disso, o presidente da Agência Goiana de Gás Canalizado (Goiásgás) e diretor-executivo do Instituto Mauro Borges (IMB), Erik Alencar, ressaltou a tranquilidade que o uso do biometano traz em momentos de instabilidade dos preços do petróleo.

“Nós vivemos um mundo em que, nos últimos 20 anos, nós tivemos 20 variações acima de 10% no preço do petróleo internacional. Essa variação impacta as contas dos empresários dos ônibus. 35% deles são [movidos a] diesel. Ela também impacta as contas do Estado, tirando toda a previsibilidade de preço. E com os contratos do biogás, nós teremos dez anos com preço fixado, com reajustes em contrato. Dessa forma, conseguimos nos proteger e manter uma autonomia energética”, explicou Alencar.

Outro ponto de destaque é o modelo adotado, baseado em um financiamento compartilhado entre Estado, prefeituras e operadores do sistema, o que, segundo a gestão, permitiu manter a tarifa congelada em R$ 4,30 desde 2019, mesmo com a ampliação dos investimentos. “Não existe nenhuma capital no mundo que manteve o preço fixo nos últimos sete anos como a nossa”, destacou o governador.

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