Israel barra missa de Ramos no Santo Sepulcro “após séculos”
Patriarcado Latino denuncia medida “inédita” após polícia impedir missa de domingo de Ramos em Jerusalém
A polícia israelense impediu, neste domingo (29), a entrada de líderes católicos na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, durante as celebrações do Domingo de Ramos, início da Semana Santa. Segundo o Patriarcado Latino de Jerusalém, “pela primeira vez em séculos, os líderes da Igreja foram impedidos de celebrar a Missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro”, em um episódio que ocorre em meio ao agravamento do conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã.
De acordo com a autoridade religiosa, o cardeal Pierbattista Pizzaballa e o frei Francesco Ielpo seguiam em direção ao local de forma privada, sem procissão ou ato público, quando foram interceptados por agentes. Conforme o relato oficial, eles “foram detidos no meio do caminho, enquanto se deslocavam em caráter privado e sem quaisquer características de uma procissão ou ato cerimonial, e foram obrigados a retornar”.
O Patriarcado classificou a medida israelense como desproporcional, afirmando que impedir a entrada dos líderes religiosos “constitui uma medida manifestamente irrazoável e grosseiramente desproporcional”. Em outro trecho do comunicado, a instituição destacou que “este incidente constitui um grave precedente e desrespeita a sensibilidade de bilhões de pessoas em todo o mundo que, nesta semana, voltam seus olhares para Jerusalém”, além de apontar que se trata de uma “decisão precipitada e fundamentalmente falha, contaminada por considerações impróprias”.
As restrições fazem parte de um conjunto mais amplo de medidas adotadas por Israel nos últimos dias. A polícia informou que locais sagrados na Cidade Velha foram fechados aos fiéis, justificando a ação por questões de segurança. Em nota, afirmou que os espaços foram “fechados aos fiéis, particularmente os locais que não possuem espaços protegidos padrão, a fim de salvaguardar a segurança pública”, acrescentando que “a Cidade Velha e os locais sagrados constituem uma área complexa que não permite o acesso de veículos de emergência e resgate de grande porte”.
Israel não teve “nenhuma intenção maliciosa”
O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu negou motivação religiosa ou política na decisão e declarou que não houve “nenhuma intenção maliciosa” na medida, indicando que a restrição ocorreu diante do risco à segurança dos participantes.
Ainda, a ação provocou reação internacional imediata. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que o Santo Sepulcro “deve ser preservado e protegido” e avaliou que impedir o acesso de líderes religiosos “constitui um insulto não apenas aos fiéis, mas a toda comunidade que reconhece a liberdade religiosa”. O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, classificou a medida como “inaceitável” e determinou a convocação do embaixador israelense em Roma para prestar esclarecimentos.
Papa diz que “Jesus não ouve oração daqueles que fazem guerras”
Durante celebração no Vaticano, o Papa Leão XIII também se manifestou sobre o cenário na região e declarou que suas orações estão “mais do que nunca com os cristãos do Oriente Médio, que estão sofrendo as consequências de um conflito brutal”.

Ainda, o pontífice afirmou que “(Jesus) não ouve as orações daqueles que fazem guerras, mas as rejeita, dizendo: ‘Ainda que façais muitas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue'”.
Além das restrições impostas aos cristãos, o acesso a outros locais sagrados também foi afetado. Muçulmanos seguem impedidos de entrar na Mesquita de Al-Aqsa desde o início do conflito, inclusive durante o período do Ramadã, enquanto o número de judeus autorizados a rezar no Muro das Lamentações foi limitado a 50 pessoas por dia.