Trump afirma que “novo regime” do Irã pediu cessar-fogo
Presidente norte-americano afirma que governo iraniano pediu por cessar fogo enquanto Teerã nega declaração
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (1º) que o Irã teria solicitado um cessar-fogo no conflito entre os dois países. A guerra entrou no segundo mês sem sinal de trégua, e a declaração foi rapidamente rejeitada por autoridades iranianas, que negaram qualquer iniciativa nesse sentido.
A manifestação do republicano ocorreu em uma publicação na rede Truth Social. No texto, ele disse que um suposto “presidente do novo regime” iraniano teria feito o pedido e indicou que a análise dependeria da reabertura do Estreito de Ormuz, fechado por Teerã no início da guerra e considerado essencial para o fluxo global de petróleo. Segundo ele, enquanto a via permanecer fechada, os ataques continuarão.
A referência a uma mudança de regime, no entanto, não se confirma na estrutura formal do país. O Irã mantém Masoud Pezeshkian na presidência, sem alteração recente no comando.

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Irã chama declaração de Trump de “falsa e sem fundamento”
A resposta iraniana veio em duas frentes. A Guarda Revolucionária declarou que o Estreito de Ormuz seguirá fechado “para os inimigos” e criticou as falas do presidente norte-americano em pronunciamento na TV estatal. Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, em entrevista à emissora Al Jazeera, afirmou que não houve pedido de cessar-fogo e classificou a declaração como “falsa e sem fundamento”.
O episódio ocorre em meio a um padrão de posicionamentos divergentes por parte de Trump. Em diferentes momentos, o presidente sinaliza abertura para encerrar o conflito, mas também eleva o tom ao mencionar novas ações militares. Entre as ameaças recentes estão a possibilidade de uma ofensiva terrestre e ataques a estruturas consideradas estratégicas, como a ilha de Kharg.
Também nesta quarta-feira, o presidente iraniano divulgou, segundo a CNN, uma carta dirigida à população norte-americana. No texto, ele pede que os cidadãos olhem “além da retórica política” e afirma que o Irã “nunca, em sua história moderna, escolheu o caminho da agressão” e “nunca iniciou qualquer guerra”.