segunda-feira, 6 de abril de 2026
saúde

Fibras alimentares agem da saciedade à prevenção de doenças

Presentes apenas em alimentos vegetais, as fibras solúveis e insolúveis regulam glicemia, colesterol, peso e microbiota intestinal, e sua falta eleva o risco de câncer colorretal

Luana Avelarpor Luana Avelar em 5 de abril de 2026
Fibras
Foto: freepik

Alimentos que o organismo não consegue digerir podem ser fundamentais para a saúde. É o caso das fibras alimentares, presentes em alimentos de origem vegetal, cujas funções vão muito além do bom funcionamento do intestino. Elas atuam no controle glicêmico, na regulação do colesterol, na promoção da saciedade e na composição da microbiota intestinal, e sua deficiência crônica está associada a consequências que vão da constipação ao câncer colorretal.

Dois tipos, mecanismos distintos

As fibras alimentares se dividem em dois grupos: solúveis e insolúveis. As solúveis, encontradas na polpa de frutas e no farelo de aveia, retém mais líquidos e formam um gel ao longo do trato digestivo. As insolúveis, presentes nas cascas de frutas, nas verduras e nos caules, atuam por um mecanismo de arrasto, empurrando o conteúdo intestinal ao longo do percurso. Cada tipo exerce funções específicas, mas os dois são necessários para o equilíbrio do organismo. A combinação entre eles é o que torna a alimentação variada e rica em vegetais mais eficaz do que qualquer suplemento isolado.

No intestino delgado, as fibras solúveis dificultam a absorção dos carboidratos simples, reduzindo a velocidade com que o açúcar entra na corrente sanguínea. Esse efeito contribui diretamente para o controle glicêmico e reduz os níveis de LDL, o colesterol ruim. O gel formado por essas fibras também ocupa espaço no estômago, prolongando a sensação de saciedade e auxiliando no controle do peso ao reduzir a fome entre as refeições.

As fibras insolúveis, por sua vez, aumentam o volume do bolo fecal e aceleram o trânsito intestinal, funcionando como uma escova ao longo do trato digestivo. Esse mecanismo de limpeza contribui para a saúde intestinal e para a prevenção de doenças como constipação, hemorróidas, fissuras anais e doenças diverticulares, condições diretamente ligadas ao esforço excessivo durante a evacuação e ao trânsito lento.

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O papel na microbiota

No intestino grosso, as fibras exercem uma função ainda mais estratégica. Embora não sejam digeridas pelo organismo humano, são fermentadas pelos microrganismos presentes naquele ambiente, principalmente no cólon. Esse processo nutre as bactérias saudáveis da microbiota intestinal, favorece sua proliferação e inibe o crescimento de bactérias patogênicas. A ingestão inadequada de fibras rompe esse equilíbrio, condição conhecida como disbiose intestinal, e está associada ao crescimento bacteriano no intestino delgado, o SIBO, e ao supercrescimento metanogênico, o IMO. A longo prazo, a deficiência crônica de fibras também eleva o risco de câncer colorretal.

Vale lembrar que o consumo de fibras naturais vem acompanhado de outros nutrientes. Ao ingerir vegetais ricos em fibras, o organismo recebe vitaminas, minerais, antioxidantes e fitoquímicos que ampliam os benefícios e não estão presentes nos suplementos.

Fibras naturais ou em suplemento

As fibras podem ser obtidas tanto pela alimentação quanto por suplementos. A diferença entre as duas fontes é relevante: os alimentos in natura oferecem uma combinação complexa de fibras solúveis e insolúveis, junto com vitaminas, minerais, antioxidantes e fitoquímicos. Os suplementos, em geral, repõem apenas um ou dois tipos isolados, sem o conjunto de nutrientes presente nos vegetais. A recomendação é que os suplementos sejam usados apenas quando a alimentação habitual não permite atingir a ingestão adequada.

Quanto consumir

A ingestão diária recomendada de fibras é de 30 a 35 gramas. A maior parte da população brasileira consome menos do que isso. Para atingir a meta, a orientação é diversificar as fontes: metade da ingestão deve vir de fibras solúveis, como frutas e aveia, e a outra metade de fibras insolúveis, presentes em vegetais e grãos integrais. Essa recomendação está alinhada ao Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, que orienta a priorização de alimentos in natura e ricos em fibras para a promoção da saúde e a prevenção de doenças crônicas.

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