terça-feira, 7 de abril de 2026
TENSÃO

Trump avisa que “uma civilização inteira morrerá esta noite” e impõe ultimato ao Irã

Declarações do presidente dos EUA geram reação imediata de Teerã e tensionam Estreito de Ormuz antes do prazo final

Thais Munizpor Thais Muniz em 7 de abril de 2026
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Presidente dos EUA, Donald Trump - Foto: AARON SCHWARTZ/EFE/EPA/POOL

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na manhã desta terça-feira (7) uma mensagem nas redes sociais em que afirmou que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, em referência ao Irã, poucas horas antes de o prazo que ele estabeleceu expirar. As declarações aumentaram a tensão diplomática entre Washington e Teerã e levaram o governo iraniano a interromper negociações com os americanos.

Trump escreveu em sua plataforma Truth Social que não deseja que a destruição ocorra, mas sugeriu que isso “provavelmente acontecerá” se o Irã não cumprir condições estabelecidas pelos Estados Unidos. Em seguida, apontou para uma suposta mudança no regime como possibilidade de “algo revolucionário e maravilhoso” acontecer. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, disse Trump na publicação.

As declarações vieram no dia em que se encerra o ultimato estabelecido por Trump para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz, importante corredor marítimo por onde passam cerca de 20% das exportações de petróleo do mundo. Segundo autoridades americanas, o Irã teria praticamente fechado a passagem desde que os Estados Unidos e Israel bombardearam seu território, no que é considerado um dos principais pontos de atrito no conflito em curso.

Irã paralisa negociações e declarações se intensificam

Após as ameaças de Trump, a televisão estatal iraniana informou que as conversas e negociações indiretas com os EUA, que até então ocorriam, foram interrompidas. O governo iraniano já havia rejeitado um plano de cessar-fogo proposto pelo Paquistão, e em pronunciamento na segunda-feira (6) Trump havia dito que, se não houvesse um “acordo aceitável”, os Estados Unidos atacariam “todas as pontes e usinas de energia do Irã em poucas horas”.

O presidente americano também afirmou, em coletiva na Casa Branca, que “o país inteiro pode ser eliminado em uma noite” e que não se preocupa com acusações de crime de guerra caso alvos civis sejam atingidos, como usinas elétricas, mas considerou que permitir que um país com líderes que ele qualificou como “dementes” possua armas nucleares seria o verdadeiro crime de guerra.

Em suas declarações públicas mais recentes, Trump disse ainda que, se pudesse escolher, tomaria o petróleo do Irã. “Mas os cidadãos americanos querem o fim da guerra”, afirmou.

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Trump avisa que “uma civilização inteira morrerá esta noite” e impõe ultimato ao Irã

 

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Ações militares e respostas iranianas

A poucos quilômetros do Estreito, notícias de ataques intensificaram a sensação de crise. A agência iraniana Mehr News informou que explosões e bombardeios foram ouvidos na Ilha de Kharg, um importante centro de petróleo e estratégico para a região.

Um oficial americano citado pelo site Axios afirmou que forças dos Estados Unidos realizaram ataques contra alvos militares na ilha, incluindo bunkers, estações de radar e um depósito de munições. O ataque, que contou com operações aéreas ao longo da costa norte da ilha, não teria envolvido tropas americanas em terra e não atingiu instalações de petróleo, segundo o oficial à NBC News.

Do outro lado, o Exército iraniano classificou as ameaças de Trump como delirantes e afirmou que elas não vão compensar o que chamou de “vergonha e humilhação” dos Estados Unidos na região.

No plano interno, autoridades iranianas segue mobilizando a população. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que “mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã”. “Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo alguém disposto a dar a vida pelo Irã”, disse Pezeshkian em uma postagem na rede X.

Além disso, um bombardeio na província de Alborz, nas imediações de Teerã, deixou ao menos 18 mortos e 24 feridos, e a capital teria sido alvo de uma série de ataques intensos, inclusive em áreas residenciais e no Aeroporto Internacional de Khorramabad, segundo relatos.

A tensão aumentou ainda mais quando o ministro iraniano do Patrimônio Cultural enviou uma carta à Unesco pedindo a condenação de uma suposta ameaça de ataque de Israel ao sistema ferroviário do país. A ferrovia trans-iraniana, que liga o Mar Cáspio ao Golfo Pérsico, é considerada patrimônio mundial, e Teerã afirmou que qualquer ataque representaria uma agressão ao patrimônio da humanidade.

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