Caiado pode ser principal beneficiado do voto do eleitor de centro ao Planalto
Avaliação do histórico e da postura ética dos pré-candidatos tende a definir o voto dos indecisos e pode favorecer nomes fora da polarização
Bruno Goulart
Em meio à indefinição sobre a corrida presidencial, o eleitor de centro deve ter papel decisivo nas urnas. Formado em grande parte por indecisos, esse grupo observa com mais atenção fatores como confiança, histórico e postura dos candidatos. Mais do que promessas de governo, o que passa a pesar é a percepção de integridade e a forma como cada nome lida com denúncias e escândalos.
De acordo com o especialista em Marketing Político e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Felipe Fulquim, a moralidade tende a ser o principal critério para esse eleitor. “O que mais vai pesar para esse eleitor de centro é a moralidade do candidato que se apresentar, considerando o seu próprio histórico”, afirma. Segundo Fulquim, casos como o do Banco Master, que envolvem, em diferentes níveis, vários políticos, aumentam a desconfiança das pessoas e fazem com que o eleitor passe a exigir candidatos mais éticos.
Fulquim avalia que há um desgaste generalizado no sistema político e até mesmo em outras instituições. “O caso Master e outros episódios mostram uma falência múltipla da moralidade no sistema brasileiro, não apenas no campo político, mas também no Judiciário”, diz. Diante desse cenário, cresce a tendência de que o eleitor de centro busque nomes que se apresentem como alternativa às práticas tradicionais e que demonstrem firmeza no combate à corrupção.
Nesse contexto, o pré-candidato a presidente pelo PSD, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, aparece como um dos possíveis beneficiados pelo voto moderado. Para o especialista, Caiado tem construído esse discurso e pode ampliá-lo durante sua campanha à Presidência da República. “Ele foi um dos primeiros a dar espaço para esse tipo de abordagem. Fez isso em Goiás e, com certeza, vai reproduzir essa estratégia na sua comunicação eleitoral”, explica.
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A imagem construída pelo ex-governador também contribui para essa percepção. “Ele sempre destacou que não possui histórico de corrupção pessoal ou política”, afirma Fulquim. Embora reconheça que houve episódios durante a gestão estadual, o especialista ressalta a forma como foram conduzidos. “É claro que houve alguns casos de corrupção durante os governos, mas esses episódios foram rapidamente colocados sob investigação policial e encaminhados para a Justiça”, completa.
Respostas rápidas à corrupção
Outro ponto que pode favorecer Caiado é a forma como responde a crises. “Ele costuma dar respostas rápidas a essas questões relacionadas à corrupção”, diz Fulquim. Para o eleitor de centro, essa postura tende a ser vista como sinal de compromisso com a transparência, algo cada vez mais valorizado diante do desgaste da política.
Ao mesmo tempo, esse grupo demonstra resistência a candidaturas mais associadas à polarização. Uma alternativa à direita que não esteja diretamente ligada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tende a ter maior aceitação. “Esse eleitor busca alguém que represente mudança, mas sem carregar os desgastes dos extremos”, observa o especialista.
Augusto Cury
Outros nomes também são citados como possíveis opções fora da polarização, como o escritor Augusto Cury (Avante). No entanto, a avaliação é de que candidatos com trajetória política mais consolidada e discurso já estruturado podem ter vantagem na disputa por esse eleitor.
Fulquim lembra ainda que esse tipo de movimento já ocorreu em outros momentos da política brasileira. “Vale lembrar o caso do ex-presidente Fernando Collor (1989), que se elegeu com o discurso do ‘caçador de marajás’”, afirma. Segundo o especialista em Marketing Político, em períodos de desconfiança, esse tipo de narrativa ganha força entre os eleitores.
Diante desse cenário, a tendência é que o eleitor de centro decida o voto com base na credibilidade e na confiança. “Esse eleitor tende a decidir com base no histórico e na capacidade moral que o candidato demonstra ter para combater práticas de corrupção”, pontua Fulquim. (Especial para O HOJE)