Líbano e Israel retomam negociações diretas após 4 décadas
Representantes de Tel Aviv e Beirute se reuniram para discutir um cessar-fogo em meio a escalada no Oriente Médio
Representantes de Israel e do Líbano se reuniram nesta terça-feira (14), em Washington, na primeira conversa direta entre os dois países em quatro décadas, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio e à pressão internacional por um cessar-fogo. O encontro foi mediado pelos Estados Unidos e ocorreu no Departamento de Estado, com participação do secretário Marco Rubio.
A reunião acontece em um momento considerado crítico, uma semana após o início de um cessar-fogo temporário e frágil, entre Estados Unidos, Israel e Irã. As negociações entre israelenses e libaneses, no entanto, começaram com posições divergentes sobre os caminhos para encerrar o conflito.
O governo do Líbano demonstrou disposição para avançar nas tratativas e defendeu a estabilização do sul do país. O presidente Joseph Aoun afirmou que espera que o encontro contribua para encerrar o “sofrimento” da população libanesa, mas ressaltou que a estabilidade não será alcançada enquanto houver presença israelense em território do país. “A única solução reside no reposicionamento do exército libanês até à fronteira internacionalmente reconhecida, sendo assim o único responsável pela segurança da área e pela proteção dos seus residentes, sem a participação de qualquer outra parte”, declarou Aoun.
Do lado israelense, a prioridade apresentada foi o desarmamento do Hezbollah. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já havia instruído seu governo a iniciar negociações o mais rápido possível, com foco na retirada da influência do grupo e na construção de relações pacíficas entre os dois países. Israel também indicou que não pretende discutir um cessar-fogo diretamente com o Hezbollah.

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Israel e Líbano tem interesse alinhado contra Hezbollah
Após o encontro, o embaixador de Israel nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, afirmou que os participantes identificaram um ponto em comum ao longo das conversas. Segundo ele, houve percepção de alinhamento em relação ao futuro do Líbano e à necessidade de enfrentar a influência do Hezbollah. “Estamos ambos unidos na missão de libertar o Líbano do poder de ocupação dominado pelo Irã, chamado Hezbollah”, afirmou.
O Hezbollah, por sua vez, rejeita as negociações. Em discurso na segunda-feira (13), o líder da organização, Naim Qassem, pediu ao governo libanês que cancelasse a reunião e classificou o encontro como “inútil”.
A tensão entre Israel e Hezbollah se intensificou após o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro. Desde então, ataques israelenses em território libanês já deixaram cerca de 2 mil mortos, de acordo com o Ministério da Saúde do Líbano. A atual escalada ocorre após o rompimento de um acordo de trégua firmado em novembro de 2024, mediado por Washington, e encerrado em 1° de março deste ano.
ONU vê possibilidade em retomada de conversas em Washington e Teerã
Paralelamente, há expectativa de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que é altamente provável que as conversas sejam retomadas antes do fim do cessar-fogo vigente. Ele destacou “que seria irrealista esperar que um problema tão complexo e de longa data pudesse ser resolvido na primeira sessão de negociação. Portanto, precisamos que as negociações continuem e que o cessar-fogo seja mantido durante esse período”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo iraniano gostaria “muito de fechar um acordo”. Apesar de uma reunião recente entre os dois países, realizada no Paquistão, não ter produzido avanços, e ter causado o fechamento do Estreito de Ormuz pelos EUA — um dos principais pontos de tensão durante o conflito.