Choquei: dono da página já esteve em polêmica antes de prisão em operação contra esquema bilionário
Perfil administrado por Raphael Sousa Oliveira foi investigado em 2023 após morte de jovem ligada a fake news; influenciador foi preso pela PF por suspeita em esquema de R$ 1,6 bilhão
A página “Choquei”, administrada pelo influenciador Raphael Sousa Oliveira preso nesta quarta-feira (15), em Goiânia já esteve no centro de uma polêmica nacional antes da atual investigação da Polícia Federal (PF).
O influenciador é alvo da Operação Narco Fluxo, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão por meio de rifas e apostas ilegais.
Polêmica envolvendo morte de jovem
Em dezembro de 2023, a página “Choquei” foi investigada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) por suspeita de envolvimento indireto na morte de Jéssica Canedo. A jovem foi alvo de notícias falsas que a apontavam como um suposto affair do humorista Whindersson Nunes. As informações circularam em páginas de fofoca nas redes sociais, incluindo a Choquei.
Inicialmente, a suspeita era de que a divulgação das mensagens teria contribuído para o caso. No entanto, em março de 2024, a investigação foi concluída e apontou que a própria Jéssica havia criado perfis falsos e forjado conversas atribuídas ao artista.
De acordo com o delegado Felipe Oliveira, a jovem criou três contas falsas que deram origem à repercussão do caso. Jéssica, que fazia tratamento contra depressão, passou a sofrer ataques nas redes sociais após a divulgação do suposto relacionamento. Dias depois, morreu após ingerir alta dosagem de medicamentos.
A polícia identificou ainda uma jovem de 18 anos, de Rio das Ostras (RJ), que enviou mensagens incentivando o autoextermínio. Ela foi a única pessoa indiciada no caso. As páginas de fofoca, incluindo a Choquei, não foram responsabilizadas pela divulgação das informações falsas.
À época, a página afirmou que não cometeu irregularidades. Em nota, disse que as publicações foram feitas com base em dados disponíveis no momento e dentro do exercício do direito à informação.
Prisão do dono da Choquei
Raphael Sousa Oliveira foi preso e encaminhado à superintendência da Polícia Federal para prestar depoimento. A operação que o investiga também resultou na prisão dos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo.
Leia mais:Defesa do criador da página Choquei nega envolvimento em esquema criminoso
MC Ryan SP foi detido em Bertioga (SP), enquanto MC Poze do Rodo foi preso no Rio de Janeiro. Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de bens e a imposição de restrições a empresas ligadas ao grupo, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e garantir eventual ressarcimento.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Raphael Sousa Oliveira nega qualquer envolvimento do influenciador em atividades ilegais. Segundo o advogado Pedro Paulo de Medeiros, o vínculo do cliente com os fatos investigados se limita à prestação de serviços publicitários.
“A atuação ocorreu por meio de sua empresa, responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital. Os valores recebidos referem-se a serviços efetivamente prestados de publicidade e marketing, atividade lícita e exercida há anos”, informou em nota.
A defesa sustenta ainda que Raphael não integra organização criminosa, não participou de esquema ilícito e não exerceu função além da veiculação publicitária contratada. Segundo o advogado, medidas legais já estão sendo adotadas e a expectativa é de que, ao longo das investigações, fique comprovado que a atuação ocorreu dentro da legalidade.
Como funciona a Operação Narco Fluxo
A Operação Narco Fluxo é um desdobramento da Operação Narco Bet e cumpre 39 mandados de prisão temporária e 45 mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais foram expedidas pela 5ª Vara Federal em Santos e são cumpridas em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado utilizava artistas e influenciadores com grande alcance nas redes sociais para estruturar um sistema sofisticado de movimentação de dinheiro ilícito. As investigações apontam o uso de criptoativos especialmente a moeda digital Tether (USDT) , transporte de dinheiro em espécie e operações bancárias de alto valor para ocultar a origem dos recursos.