segunda-feira, 21 de setembro de 2026
ACORDO?

Trump afirma Teerã não terá armas nucleares pelos próximos “20 anos”

Norte-americano diz que possui declarações de Teerã sobre programa nuclear, que contradizem posição confirmada pelo Irã

Lalice Fernandespor em
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Foto: Daniel Torok/ Casa Branca

O conflito no Oriente Médio segue sem solução diante de negociações fracassadas, divergências sobre o programa nuclear iraniano e acordos de cessar-fogo que ainda não se sustentam. Nesta quinta-feira (16), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã teria aceitado não desenvolver armas nucleares por mais de 20 anos, declaração que contradiz a posição confirmada por Teerã.

“Temos uma declaração, uma declaração muito forte, de que eles não terão armas nucleares por mais de 20 anos”, afirmou o republicano. A versão, no entanto, difere do que foi sinalizado por Teerã. De acordo com a emissora Al Jazeera, o Irã recusou interromper totalmente o enriquecimento de urânio pelo período mencionado e apresentou uma contraproposta que prevê apenas uma suspensão parcial do programa nuclear.

A contradição ocorre após uma rodada de negociações realizada no sábado (11), em Islamabad, no Paquistão, que terminou sem acordo e com bloqueio do Estreito de Ormuz pelos Estados Unidos. Mesmo com um cessar-fogo de duas semanas em vigor entre Estados Unidos e Irã, não há avanço concreto para um entendimento definitivo. Na quarta-feira (15), o país voltou a defender publicamente seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, afirmou que ninguém pode “tirar” esse direito e que o nível de enriquecimento é “negociável”.

 

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Hegseth afirma EUA está pronto para caso Irã não aceite um acordo

As divergências também se estendem ao campo militar, com versões conflitantes sobre a capacidade das forças iranianas após os ataques recentes. Em pronunciamento na televisão estatal, o comandante do Exército, Amir Hatami, disse que a estrutura militar do país permanece ativa. “Segue firme e o inimigo se mantém a uma distância de 300 quilômetros”, afirmou. Em sentido oposto, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou que as forças norte-americanas estão  “prontas para retomar o combate se o Irã não aceitar um acordo”. “Se o Irã fizer escolhas ruins, bombas cairão sobre a infraestrutura, o setor elétrico e energético”, afirmou o Hegseth em coletiva de imprensa no Pentágono.

No campo diplomático, Trump voltou a indicar a possibilidade de uma nova rodada de negociações presenciais com representantes iranianos ainda neste fim de semana. O presidente também destacou o “bloqueio incrível” imposto aos portos do Irã, afirmando que a medida tem afetado diretamente a economia do país. “Eles não conseguem fazer negócios por causa do bloqueio. E então, sem Marinha, sem Força Aérea, sem equipamento antiaéreo, eles não têm nada, tudo se foi.”, disse.

Trump  anuncia cessar-fogo entre Israel e Líbano 

A tensão ainda se estende para território libanes, que tem sido alvo de ataques israelenses desde 1° de março. O Hezbollah afirmou que só aceitará o cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos caso haja retirada de tropas israelenses do sul do país. A condição foi rejeitada pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que declarou que o acordo não prevê essa exigência.

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Líbano sob ataque israelense (Foto: Reprodução)

Diante da incerteza, o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, recomendou que a população adie o retorno às áreas atingidas até que a situação seja esclarecida. Um cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano chegou a ser anunciado por Donald Trump mas ainda depende da adesão plena das partes envolvidas.

Sem consenso sobre o programa nuclear iraniano, com negociações interrompidas e acordos temporários que não se consolidam, o conflito segue sem perspectiva imediata de solução e mantém o cenário regional sob tensão constante.

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