domingo, 20 de setembro de 2026
DENÚNCIA

ONU condena ataques no Líbano: “Violação flagrante”

Governo libanes afirma que ataques israelenses são ilegais e anunciam “queixa urgente” na ONU

Lalice Fernandespor em
onu
Ataques israelenses no Líbano (Foto: Reprodução)

A ofensiva aérea de Israel no Líbano, que deixou mais de 300 mortos em 8 de abril, levou o governo libanês a recorrer à Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta quarta-feira (15), o Ministério das Relações Exteriores informou que pediu a apresentação de uma queixa urgente contra os ataques, classificados como ilegais pelas autoridades do país.

A ação militar, considerada por Israel a maior desde o início das operações em março, atingiu áreas urbanas em horário de grande circulação. Segundo o governo libanês, os bombardeios “atingiram áreas residenciais densamente povoadas durante o horário de pico e sem aviso prévio, resultando em destruição generalizada e centenas de vítimas, a maioria civis desarmados”.

O episódio se soma a um balanço crescente de mortos desde o início da escalada. Dados do Ministério da Saúde apontam mais de 2.100 vítimas desde 2 de março, entre elas dezenas de profissionais de saúde. O impacto humanitário tem sido um dos principais pontos de pressão internacional sobre Israel.

 

Leia mais: Líbano e Israel retomam negociações diretas após 4 décadas

Leia mais: “Tenham medo”: Brasileira ameaça expor “sistema corrupto” de Melania e Trump

 

Organização afirma que ataques violam a Carta da ONU

Especialistas ligados às Nações Unidas reagiram aos ataques e classificaram a ofensiva como uma campanha de bombardeio indiscriminado. Em comunicado, afirmaram: “Isso não é autodefesa. É uma violação flagrante da Carta da ONU, uma destruição deliberada das perspectivas de paz e uma afronta ao multilateralismo e à ordem internacional baseada na ONU”. Israel, por sua vez, sustenta que os alvos atingidos estavam associados ao Hezbollah e afirma que o grupo opera em meio à população civil.

A crise externa se reflete no cenário interno libanês. A abertura de diálogo com Israel, mediada pelos Estados Unidos, provocou reação do Hezbollah, que rejeitou a iniciativa. O deputado Hassan Fadlallah criticou a negociação e questionou a condução do governo, afirmando: “Não obteve nada do inimigo, exceto elogios, sem atender a qualquer exigência”.

O encontro diplomático ocorreu em Washington e marcou o primeiro contato direto entre representantes dos dois países em quatro décadas, mesmo com a ausência de avanços sobre um cessar-fogo.

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