Vírus pouco conhecido provoca mortes e mantém cruzeiro isolado no Atlântico; entenda
Casos suspeitos de hantavírus deixam mortos e infectados; OMS destaca riscos, formas de transmissão e baixa chance de contágio entre pessoas
Um surto de um vírus pouco conhecido do grande público colocou em alerta autoridades de saúde internacionais após atingir um cruzeiro de luxo com cerca de 150 passageiros. A embarcação, que saiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, com destino a Cabo Verde, registra ao menos três mortes e outros casos suspeitos da doença, levando ao isolamento do navio em alto-mar.
As vítimas fatais incluem um casal de idosos holandeses e um cidadão alemão. Além disso, outras pessoas apresentaram sintomas e precisaram de atendimento médico, enquanto parte dos infectados foi retirada da embarcação. O navio segue sem autorização para atracar, como medida de contenção.
O que é o vírus e por que preocupa
O agente suspeito por trás do surto é o hantavírus, um grupo de vírus conhecido por causar doenças graves que afetam principalmente os pulmões ou os rins. Nas Américas, a forma pulmonar é a mais comum e também a mais perigosa, podendo levar a uma taxa de mortalidade considerada alta.
A infecção geralmente ocorre por meio do contato com secreções de roedores, como urina, fezes ou saliva. Essas partículas podem se espalhar pelo ar, especialmente em ambientes fechados ou durante a limpeza de locais contaminados. Embora a transmissão entre humanos seja extremamente rara, autoridades investigam essa possibilidade no caso do cruzeiro.
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Sintomas começam como gripe e podem evoluir
Os primeiros sinais da doença costumam ser confundidos com uma gripe comum. Febre, cansaço e dores no corpo podem surgir entre uma e oito semanas após a exposição ao vírus. No entanto, o quadro pode evoluir rapidamente.
Em poucos dias, alguns pacientes passam a apresentar sintomas mais graves, como falta de ar, tosse intensa e acúmulo de líquido nos pulmões. Essa progressão rápida é um dos fatores que tornam o hantavírus especialmente perigoso, já que dificulta o diagnóstico precoce.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados e pode causar doenças graves, especialmente respiratórias. Nas Américas, a infecção pode evoluir rapidamente e ter alta taxa de mortalidade. A entidade destaca ainda que a transmissão entre pessoas é rara, sendo associada quase exclusivamente à cepa Andes e a contatos muito próximos.
Cepa rara levanta suspeita de transmissão entre pessoas
Autoridades de saúde identificaram que os casos no cruzeiro podem estar ligados à chamada cepa “Andes”, uma variante do hantavírus conhecida por circular na América do Sul. Diferente de outras versões do vírus, essa cepa já foi associada, em raras ocasiões, à transmissão entre pessoas, algo incomum para esse tipo de infecção.
Mesmo assim, especialistas reforçam que esse tipo de contágio exige contato muito próximo e não costuma ocorrer de forma ampla. Ainda assim, o cenário a bordo do navio levou à intensificação das investigações e ao rastreamento de contatos em diferentes países.
Apesar da gravidade dos casos registrados, organizações de saúde destacam que o risco para a população em geral é baixo. Ainda assim, o episódio chama atenção para a necessidade de vigilância e resposta rápida diante de surtos em ambientes fechados, como navios.