domingo, 20 de setembro de 2026
NEGOCIAÇÕES

Teerã reabre Ormuz enquanto EUA mantém bloqueio naval

Trump agradece a abertura da rota estratégica, mas afirma que bloqueio norte-americano segue até acordo ser fechado

Lalice Fernandespor em
ORMUZ
Presidente norte-americano indica possibilidade um acordo em breve (Foto: Daniel Torok/ Casa Branca)

O governo do Irã anunciou nesta sexta-feira (17) a reabertura total do Estreito de Ormuz para embarcações comerciais durante a permanência do cessar-fogo com os Estados Unidos, em um movimento que reduz temporariamente a tensão sobre uma das principais rotas energéticas do mundo, mas mantém incertezas sobre o futuro do conflito no Oriente Médio.

A medida, segundo autoridades iranianas, vale até a próxima quarta-feira (22), prazo final do acordo em vigor. O bloqueio do Estreito de Ormuz havia se tornado um dos principais entraves nas negociações recentes entre Teerã e Washington, impactando diretamente o fluxo global de petróleo.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a circulação de navios em Ormuz está autorizada dentro das condições estabelecidas pelo cessar-fogo. “De acordo com o cessar-fogo no Líbano, a passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo”, declarou.

 

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Bloqueio naval dos EUA segue em vigor

Apesar da liberação, o cenário segue instável. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agradeceu publicamente a decisão iraniana, mas deixou claro que o bloqueio naval norte-americano na saída do estreito, já na região do Golfo de Omã e do Mar Arábico, continuará em vigor. Segundo ele, “o bloqueio naval permanecerá em pleno vigo e efeito, no que diz respeito ao Irã, apenas, até que nossa transação com o Irã esteja 100% concluída”.

Trump também indicou a possibilidade de uma nova rodada de conversas ainda neste fim de semana, após o primeiro encontro, realizado no Paquistão, terminar sem avanços concretos. “Os iranianos querem se encontrar. Eles querem fechar um acordo. Acho que uma reunião provavelmente acontecerá neste fim de semana. Acho que chegaremos a um acordo em um ou dois dias”, disse em entrevista ao site Axios.

Irã afirma que Ormuz pode ser fechado caso EUA não acabe com bloqueio

A reabertura, no entanto, foi recebida com ressalvas dentro de Teerã. A agência estatal Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, criticou o anúncio, classificando-o como insuficiente e ambíguo. O veículo afirmou que a passagem poderá ser novamente interrompida caso o bloqueio naval dos EUA persista. “Diversas condições foram consideradas para esta questão, sendo uma das mais importantes a supervisão completa das Forças Armadas iranianas sobre a passagem e a navegação dos navios. Essa passagem será considerada cancelada caso o alegado bloqueio naval continue”, informou.

Além das divergências políticas, há preocupações operacionais. Autoridades iranianas reconhecem não ter controle total sobre a localização de minas na região, recomendando que embarcações utilizem apenas rotas consideradas seguras. A Marinha dos EUA também alertou para riscos, afirmando que a ameaça de minas “não é totalmente compreendida”.

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Estreito de Ormuz (Foto: Reprodução/ Google Maps)

Líderes europeus reagem a decisão

No cenário internacional, líderes europeus reagiram com cautela. Embora tenham elogiado o cessar-fogo envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, reforçaram a necessidade de uma solução duradoura. Países como Reino Unido, França, Alemanha e Itália discutem o envio de forças navais ao Golfo Pérsico para garantir a segurança da navegação.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que as negociações são positivas, mas exigem prudência. “Tudo isso caminha na direção certa”, disse, ao defender a abertura plena e o respeito ao direito marítimo.

Enquanto no Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer, reforçou a importância de um entendimento definitivo. “Nossa mensagem é muito simples: o mundo precisa do estreito aberto para manter os preços baixos. Precisamos que as negociações sejam retomadas”, declarou.

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