FINANÇAS

Adultos entre 30 e 39 anos lideram inadimplência em Goiás

Faixa concentra maior número de devedores no estado; volume de dívidas cresce mais rápido que o de pessoas negativadas

Luana Avelarpor Luana Avelar em 24 de abril de 2026
inadimplência
foto: divulgaão

O goiano que mais acumula dívidas não é jovem nem idoso. É quem está no meio da vida, com conta para pagar em todo lado. Dados do SPC Brasil referentes a março de 2026 mostram que adultos entre 30 e 39 anos formam o grupo com maior número de inadimplentes em Goiás, representando 25,99% do total. Na sequência aparecem as faixas de 40 a 49 anos (23,15%) e de 50 a 64 anos (21,14%). Juntas, essas três faixas concentram mais de 70% de todos os devedores do estado. A idade média de quem está com o nome negativado em Goiás é de 45,3 anos.

O padrão não surpreende especialistas. A população economicamente ativa costuma ter mais acesso a crédito, mas também mais despesas fixas: aluguel, financiamento, educação, custos familiares. O resultado é um perfil de endividamento que atinge justamente quem sustenta o consumo.

Leia mais: Endividamento das famílias pressiona consumo e afeta pequenos negócios

Dívidas crescem mais rápido que devedores

Um dado do levantamento merece atenção redobrada: o número de inadimplentes cresceu 8,35% em relação a março de 2025, mas o volume total de dívidas em atraso subiu 16,44% no mesmo período. A diferença entre os dois índices indica que quem já está negativado está acumulando novos débitos, aprofundando o problema em vez de resolvê-lo.

O tempo médio de atraso das dívidas no estado é de 29,3 meses, quase dois anos e meio. Mais de um terço dos inadimplentes (36,66%) permanece nessa situação entre um e três anos, o que aponta para uma inadimplência que deixou de ser pontual e passou a se prolongar.

Pequenas dívidas, grande problema

O valor médio das dívidas em Goiás é de R$ 5.644,88 por pessoa, mas uma parcela expressiva dos devedores deve muito menos. Cerca de 25,63% têm pendências de até R$ 500, e 37,19% devem até R$ 1.000. Os números revelam que o endividamento não está restrito a grandes financiamentos, mas ao acúmulo silencioso de despesas cotidianas.

O setor bancário concentra a maior fatia das dívidas em atraso, com 62,41% do total. Comércio, contas de serviços básicos e empresas de comunicação aparecem na sequência.

A saída pelo diálogo

Para o presidente da CDL Goiânia, Gustavo de Faria, o maior erro de quem está endividado é a inércia. “O principal erro é deixar a dívida parada. Hoje existem opções de negociação com descontos e parcelamentos acessíveis. Quando o consumidor procura acordo, ele consegue reorganizar o orçamento e sair do ciclo da inadimplência”, afirma.

Ele também chama atenção para o peso das dívidas menores. “Dívidas pequenas acabam se acumulando e viram um problema maior. Resolver essas pendências é o primeiro passo para voltar a ter crédito e retomar o controle financeiro”, completa.

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