Exportações de carne vindas do Brasil são proibidas na UE e preocupa pecuaristas goianos
Exportações goianas de carne para a União Europeia somaram US$ 189 milhões em 2025
Na última terça-feira (12), a União Europeia (UE) excluiu o Brasil da lista de exportadores de carnes para o bloco econômico. A decisão já foi notificada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e só começa a valer no dia 3 de setembro. O argumento do bloco, que desde o dia 1º de maio possui um acordo de livre-comércio com o Mercosul, é que o Brasil não apresentou informações suficientes sobre a utilização de antimicrobianos na criação de animais, descumprindo regras de controle de uso de antibióticos, vigentes na União Europeia.
Por conta disso, animais vivos e destinados à produção de alimentos não poderão ser enviados à UE, bloqueando bois, cavalos, ovos, peixes, mel e aves de serem enviados ao continente europeu. Mesmo com essa proibição, caso o governo brasileiro apresente as garantias ele poderá voltar a integrar a lista de exportadores de carne.
Além das questões sanitárias, essa medida é vista como uma ação não tarifária para proteger os pecuaristas europeus. Em vigor de forma provisória, o acordo entre o Mercosul e a UE, cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com tarifa zero para diversos produtos brasileiros, como frutas e o café, e em alguns casos com cotas para produtos sensíveis, como a carne.
Dessa forma, os produtores europeus terão seu mercado reduzido, com uma maior competitividade de produtos importados. O presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado de Goiás (Sindcarnes), Leandro Luiz Stival, destaca que o acordo comercial tem causado uma pressão política na UE, especialmente na França, Polônia e Irlanda, para proteger seus agricultores e pecuaristas.
Impacto para Goiás
Dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), em 2025, o Estado exportou 26,3 mil toneladas, no valor de US$ 189 milhões, representando cerca de 4% das exportações. Para a pasta, a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e demais produtos de origem animal para a União Europeia adiciona um fator de atenção à pecuária brasileira e goiana.
A secretaria ainda esclarece que no contexto regional, Goiás possui reconhecida capacidade sanitária, estrutura produtiva competitiva e experiência em rastreabilidade, fatores estratégicos para adaptação às novas exigências dos mercados internacionais. Devido a essa estrutura que garante as condições sanitárias, há uma expectativa positiva de que o Brasil consiga reverter a proibição.
O analista de mercado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Marcelo Penha, acredita que será difícil que a proibição se concretize, já que só começará a valer em setembro. “O MAPA está levantando os pontos exigidos pela Europa em relação aos protocolos de segurança alimentar, para adequar as restrições exigidas em relação aos antimicrobianos”, comenta.
Com isso, na avaliação do analista, mesmo que a medida seja efetivamente implementada pela União Europeia, os impactos diretos sobre a economia goiana tendem a ser limitados no curto prazo. Segundo ele, o Brasil possui um mercado exportador diversificado e já consolidado em diferentes regiões do mundo, o que pode reduzir parte dos efeitos.
“Acredito que a porcentagem exportada para a UE pode ser remanejada para outros países com os quais o Brasil já mantém relações comerciais e para mercados que continuam ampliando a demanda por produtos brasileiros”, explica.
Outro ponto de atenção é o possível impacto para o mercado interno, pois, uma vez que a exportação de carnes está proibida, tende a acontecer um superávit de produtos no território nacional. Porém, no caso das exportações para a Europa, o preço das carnes deve sofrer pouco ou nenhum impacto, segundo Penha. “Estamos exportando mais e o ciclo pecuário de alta vai restringir oferta de abate de fêmeas, diminuindo o total de abates comparado ao ano passado”, finaliza.
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