sexta-feira, 6 de novembro de 2026
AGRO EM ALERTA

União Europeia barra exportação de carne do Brasil

Bloco europeu excluiu país de lista sanitária por falta de garantias sobre uso de antimicrobianos na pecuária; medida pode afetar exportações milionárias

Bia Salespor em
União Europeia pode barrar carne do Brasil a partir de setembro
(Imagem: Rodney Costa/FAEMG)

A União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e produtos de origem animal ao continente a partir de 3 de setembro. A decisão, divulgada nesta terça-feira (12), acendeu um alerta no agronegócio brasileiro e pode impactar diretamente um dos mercados mais estratégicos para as proteínas produzidas no país.

Segundo o bloco europeu, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária, exigência sanitária considerada obrigatória para continuar exportando ao mercado europeu.

Na prática, a medida pode afetar produtos como carne bovina, frango, ovos, mel, peixes, equinos e itens ligados à aquicultura.

A informação foi confirmada pela porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, em entrevista à agência Lusa. Segundo ela, o Brasil precisará comprovar que atende integralmente às regras da União Europeia sobre o uso dessas substâncias em toda a cadeia de produção animal. “Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações”, afirmou.

Os antimicrobianos são medicamentos utilizados para prevenir e tratar infecções em animais. O problema, segundo a legislação europeia, está no uso de algumas dessas substâncias como promotores de crescimento na pecuária — prática proibida no bloco.

Entre os medicamentos vetados pela União Europeia estão:

  • virginiamicina;
  • avoparcina;
  • bacitracina;
  • tilosina;
  • espiramicina;
  • avilamicina.

Em abril deste ano, o Ministério da Agricultura brasileiro publicou uma portaria proibindo parte dessas substâncias, incluindo avoparcina e virginiamicina. Apesar disso, especialistas avaliam que as mudanças ainda não atenderam totalmente às exigências europeias.

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O impacto da decisão preocupa especialmente porque a Europa é um dos principais destinos da carne brasileira.

Dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura, mostram que a União Europeia ocupa atualmente a terceira posição entre os maiores compradores de carne bovina do Brasil em valor exportado, atrás apenas de China e Estados Unidos.

Quando consideradas todas as carnes, o bloco europeu aparece como o segundo maior mercado internacional para o setor brasileiro.

Para Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), a decisão europeia já era esperada há alguns anos e pode obrigar o Brasil a acelerar medidas de rastreabilidade e controle sanitário. “A União Europeia é um mercado estratégico para proteínas animais e essas exigências podem impactar rastreabilidade, certificação sanitária e compliance exportador”, afirmou o pesquisador.

Segundo ele, o Brasil terá basicamente dois caminhos para voltar à lista europeia: ampliar as proibições legais sobre os antimicrobianos ou comprovar, lote por lote, que os produtos exportados não utilizam essas substâncias.

A segunda alternativa, porém, é considerada mais cara, lenta e complexa.

Decisão ocorre após acordo Mercosul-UE

A atualização da lista acontece poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, tema que vem gerando forte reação de agricultores e ambientalistas europeus, principalmente na França.

Apesar da coincidência, especialistas afirmam que a medida sanitária não tem relação direta com o acordo comercial.

Segundo a União Europeia, trata-se de uma exigência sanitária aplicada a todos os países exportadores. “Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos”, afirmou o comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen.

O Ministério da Agricultura brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre a decisão europeia.

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Tags:
Brasil carne. união europeia exportação

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