Goiás amplia renda, bate recorde e mantém desempenho acima da média nacional
Estado alcança 5 mi de pessoas com rendimento e mantém média salarial acima da nacional, impulsionado por construção civil, serviços e agronegócio
O número de pessoas com algum tipo de rendimento em Goiás atingiu o maior patamar da série histórica em 2025 e chegou a 5 milhões, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O contingente representa 67,2% da população do Estado, índice que coloca Goiás em linha com a média nacional, mas com um diferencial importante: o rendimento médio mensal do goiano alcançou R$ 3.539, valor recorde e superior ao rendimento médio do País pelo terceiro ano consecutivo.
Na comparação com 2024, a renda média em Goiás cresceu 8,9%, percentual acima da alta nacional, de 5,4%. Para o economista Luiz Carlos Ongaratto, o desempenho reflete o fortalecimento da atividade econômica em setores estratégicos e a ampliação do mercado de trabalho no Estado.
Segundo ele, a geração de empregos formais tem sido um dos principais fatores por trás desse crescimento. Ongaratto destaca que a construção civil ocupa papel central nesse movimento, especialmente pelo ritmo acelerado de expansão registrado nos últimos anos.
“A atividade econômica está aumentando e isso gera mais empregos com carteira assinada. A construção civil em Goiás nos últimos anos está muito forte e é um setor que emprega muita mão de obra”, afirma.
De acordo com o economista, esse cenário criou um fenômeno importante no mercado de trabalho: a escassez de mão de obra em determinados segmentos. Na prática, a dificuldade das empresas em preencher vagas pressiona os salários para cima.
Quando a renda cresce em ritmo superior ao aumento do número de empregos, explica Ongaratto, isso pode indicar um déficit de trabalhadores qualificados ou disponíveis para atender à demanda do mercado.
Além do mercado formal, outro fator relevante para o aumento da renda em Goiás está na manutenção dos programas sociais, que continuam compondo parte importante da renda de milhares de famílias. O levantamento do IBGE mostra que 22,3% dos goianos recebem rendimentos de outras fontes além do trabalho, como aposentadorias, benefícios sociais e arrendamentos.
No campo, o agronegócio também aparece como peça-chave nesse crescimento. Ongaratto ressalta que a expansão agrícola elevou não apenas o número de empregos diretos no setor, mas também ampliou os ganhos de proprietários rurais com o arrendamento de terras.
Os dados da PNAD confirmam essa tendência. O rendimento médio com aluguel e arrendamento em Goiás praticamente dobrou em um ano, saltando 92,5% e alcançando R$ 4.048 em 2025, o maior valor da série histórica.
Apesar do avanço nos indicadores de renda, Ongaratto faz um alerta: o aumento da renda média não significa, necessariamente, melhora generalizada no bem-estar da população. Isso porque a desigualdade social segue elevada no Estado. O Índice de Gini, indicador que mede a concentração de renda, subiu para 0,456 em Goiás, o segundo maior nível da série histórica, atrás apenas de 2012.
Na avaliação do economista, o cenário revela um problema estrutural: muitas pessoas ainda recebem pouco, enquanto uma parcela menor concentra grande parte da renda.
“A gente tem uma desigualdade social alta aqui em Goiás, porque muitas pessoas ganham pouco e poucas pessoas ganham muito. Então para refletir em benefícios para a maior parte da população, você tem que ter uma diminuição da desigualdade social”, explica.
Outro ponto de atenção, segundo Ongaratto, está no crescimento da inadimplência e do endividamento das famílias. Mesmo com renda maior, parte da população enfrenta dificuldades financeiras, o que reduz o impacto positivo do aumento salarial no consumo e na qualidade de vida. Para ele, a combinação entre renda, geração de empregos e qualidade das vagas é fundamental para medir o real impacto econômico desse avanço.
Se o Estado amplia postos de trabalho e eleva salários ao mesmo tempo, isso pode indicar um processo de qualificação do mercado e fortalecimento da economia. Goiás, segundo o economista, tem mostrado esse movimento, impulsionado não apenas pela construção civil, mas também pela expansão do setor de serviços. Hospedagem, transporte, logística, turismo, eventos, bares e restaurantes aparecem entre as atividades que mais contribuíram para o aquecimento econômico recente.
Na avaliação de Ongaratto, esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que Goiás conseguiu ampliar sua base de renda em 2025 e manter um desempenho acima da média nacional. O desafio agora, afirma, está em transformar esse crescimento em distribuição mais equilibrada e benefícios mais amplos para a população.