Inclusão de pessoas com deficiência avança no mercado de trabalho em Goiás
O mercado de trabalho goiano registra crescimento na inclusão de pessoas com deficiência, impulsionado pela Lei de Cotas e por políticas de diversidade nas empresas
A presença de pessoas com deficiência no mercado de trabalho vem crescendo em Goiás, impulsionada pela ampliação de políticas de inclusão, pela fiscalização da Lei de Cotas e pela mudança gradual na postura das empresas em relação à diversidade. Mesmo com avanços nas contratações, especialistas apontam que o estado ainda enfrenta desafios relacionados à acessibilidade, qualificação profissional e adaptação dos ambientes corporativos.
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que o número de trabalhadores com deficiência empregados formalmente no Brasil voltou a crescer nos últimos anos, especialmente nos setores de serviços, comércio, teleatendimento, logística e indústria. Em Goiás, empresas de médio e grande porte têm ampliado programas de inclusão e adaptado processos seletivos para atender à legislação e às novas demandas do mercado.
A discussão sobre inclusão ganhou ainda mais espaço no ambiente corporativo com o fortalecimento das políticas de ESG, diversidade e responsabilidade social, que passaram a influenciar diretamente a reputação e a competitividade das empresas.

Lei de Cotas continua sendo principal ferramenta de inclusão
Criada em 1991, a Lei de Cotas determina que empresas com mais de 100 funcionários reservem entre 2% e 5% das vagas para pessoas com deficiência ou reabilitados do INSS. A legislação continua sendo a principal porta de entrada para milhares de trabalhadores no mercado formal.
Em Goiás, o cumprimento da lei é monitorado por órgãos como o Ministério Público do Trabalho e a Superintendência Regional do Trabalho. Empresas dos setores varejista, industrial e de serviços concentram grande parte das contratações realizadas no estado.
Especialistas avaliam que, embora muitas empresas ainda contratem inicialmente para atender às exigências legais, o cenário vem mudando gradualmente. A inclusão deixou de ser tratada apenas como obrigação jurídica e passou a integrar estratégias de diversidade e fortalecimento institucional.
Mesmo assim, boa parte das vagas reservadas pela legislação ainda permanece sem preenchimento no país. A dificuldade de acesso à qualificação profissional, problemas de mobilidade urbana e falta de acessibilidade em empresas continuam entre os principais entraves para ampliação das contratações.
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Empresas goianas ampliam políticas de acessibilidade
Nos últimos anos, empresas instaladas em Goiânia e na região metropolitana passaram a investir mais em adaptações físicas e tecnológicas para receber trabalhadores com deficiência. Rampas de acesso, sinalização adequada, softwares adaptados, intérpretes de Libras e flexibilização de jornadas estão entre as medidas adotadas.
O crescimento das ações também acompanha a pressão de consumidores e investidores por práticas corporativas mais inclusivas. Grandes redes varejistas, supermercados, indústrias alimentícias, empresas de tecnologia e call centers estão entre os segmentos que mais ampliaram programas de contratação inclusiva em Goiás.
Além da acessibilidade física, empresas têm buscado promover treinamentos internos voltados à conscientização das equipes e redução de preconceitos no ambiente de trabalho. A meta é garantir não apenas a contratação, mas também a permanência e o desenvolvimento profissional desses trabalhadores.
Instituições de qualificação profissional e entidades ligadas ao setor produtivo também têm ampliado cursos voltados a pessoas com deficiência, especialmente nas áreas administrativas, atendimento, informática e logística.

Comunicação e qualificação ainda são desafios
Apesar dos avanços, especialistas destacam que a inclusão efetiva ainda enfrenta obstáculos importantes. A falta de acessibilidade no transporte público, dificuldades na comunicação e limitações estruturais em ambientes corporativos seguem impactando a rotina de muitos trabalhadores.
Pessoas com deficiência auditiva, por exemplo, ainda relatam dificuldades em processos seletivos e na comunicação interna das empresas pela ausência de profissionais capacitados em Libras e ferramentas adaptadas.
Outro desafio está relacionado à qualificação profissional. Muitas vagas abertas exigem experiência prévia ou conhecimentos técnicos específicos, enquanto parte das pessoas com deficiência ainda enfrenta dificuldades de acesso à formação educacional e profissionalizante.
A informalidade também permanece elevada entre esse público. Segundo especialistas da área trabalhista, muitos profissionais acabam recorrendo ao trabalho autônomo ou informal diante das barreiras encontradas no mercado formal.
O debate sobre inclusão digital e trabalho remoto ganhou força após a pandemia e passou a ser visto como alternativa importante para ampliar oportunidades de emprego para pessoas com deficiência, especialmente em funções administrativas e tecnológicas.