segunda-feira, 11 de maio de 2026
NEGOCIOS

Consumo de livros cresce no Brasil, puxado por jovens e mulheres

Pesquisa mostra avanço nas vendas em 2025, fortalecimento das redes sociais e aumento do público leitor no país

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 10 de maio de 2026
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Foto: Divulgação

O mercado editorial brasileiro voltou a registrar crescimento em 2025, impulsionado principalmente pelo avanço do consumo entre jovens adultos, pela influência das redes sociais e pelo fortalecimento das vendas digitais. Dados da pesquisa Panorama do Consumo de Livros, divulgada pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen BookData, mostram que 18% da população brasileira com mais de 18 anos comprou ao menos um livro físico ou digital nos últimos 12 meses.

O percentual representa um crescimento de dois pontos percentuais em relação ao ano anterior e significa cerca de três milhões de novos consumidores no país. O avanço interrompe um período de retração observado nos últimos anos e sinaliza mudanças importantes no comportamento do público leitor brasileiro.

O levantamento revela ainda um mercado cada vez mais conectado ao ambiente digital e influenciado por comunidades online, criadores de conteúdo e plataformas de recomendação literária. O fenômeno tem sido apontado pelo setor editorial como um dos principais motores da retomada do consumo.

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Foto: Divulgação

Mulheres lideram mercado consumidor de livros

A pesquisa mostra que as mulheres passaram a concentrar a maior parte das compras de livros realizadas no Brasil em 2025. Elas representam atualmente 61% do público consumidor do setor editorial brasileiro.

Entre os grupos com maior participação aparecem mulheres pretas e pardas da classe C, apontadas como o segmento numericamente mais relevante entre os compradores de livros no país. Segundo o estudo, esse público corresponde a 30% do total de consumidores de livros e representa metade das mulheres que realizam compras no setor.

Especialistas avaliam que o dado demonstra mudanças importantes no perfil do leitor brasileiro e amplia o debate sobre diversidade e representatividade dentro do mercado editorial. Editoras passaram a investir mais em obras voltadas ao público jovem, feminino e conectado às redes sociais.

O levantamento também aponta crescimento expressivo entre pessoas de 18 a 34 anos, faixa etária que apresentou o maior avanço no consumo ao longo do último ano. Para representantes do setor, o comportamento reforça uma nova forma de relacionamento dos jovens com a literatura, marcada pela interação digital e pela construção de comunidades online.

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Foto: Divulgação

Redes sociais transformam livros em fenômeno digital

A influência das redes sociais sobre o mercado editorial brasileiro se tornou um dos principais destaques da pesquisa. Plataformas como TikTok, Instagram e YouTube passaram a desempenhar papel central na divulgação de obras, autores e tendências literárias.

Fenômenos como o “BookTok” transformaram livros em conteúdo viral e aproximaram novos leitores da literatura, especialmente adolescentes e jovens adultos. Criadores de conteúdo literário ganharam espaço ao compartilhar resenhas, recomendações e experiências pessoais relacionadas à leitura.

Segundo a pesquisa, 56% dos consumidores de livros afirmam realizar compras em geral por meio das redes sociais ou acompanhar lançamentos pelas plataformas digitais. Entre os principais canais de descoberta de novos títulos estão sites de vendas online, indicações de pessoas próximas, livrarias físicas e influenciadores digitais.

O crescimento da biblioteca digital pública MEC Livros também ajudou a ampliar o acesso à leitura. A plataforma do Ministério da Educação registrou mais de 122 mil empréstimos gratuitos em apenas uma semana após o lançamento, consolidando o interesse crescente por conteúdos digitais.

Além disso, os livros de colorir se tornaram um dos fenômenos editoriais de 2025. Cerca de 11 milhões de brasileiros adultos compraram ao menos um exemplar desse segmento, equivalente a 40% dos consumidores de livros no país.

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Livrarias físicas resistem e reforçam experiência cultural

Mesmo com o crescimento das vendas online, as livrarias físicas continuam exercendo papel importante no comportamento do consumidor brasileiro. A pesquisa mostra que 44% dos entrevistados ainda preferem comprar livros presencialmente, enquanto 49% optam pelo ambiente digital.

Mais do que pontos de venda, as livrarias passaram a ser vistas como espaços de convivência, lazer e experiência cultural. Segundo o levantamento, 53% dos consumidores associam esses locais a ambientes para relaxar e explorar sem pressa, enquanto 46% relacionam as livrarias à conexão com cultura e conhecimento.

O estudo também revelou que 72% dos entrevistados afirmam que suas cidades possuem livrarias ou espaços dedicados à venda de livros. Entre aqueles que perderam livrarias em suas regiões, 73% disseram sentir falta desses espaços.

No varejo físico, a rede Livraria Leitura aparece como principal referência entre os consumidores que compraram livros presencialmente. Já no comércio digital, a Amazon domina as vendas de livros impressos e digitais, seguida por plataformas como Shopee e Mercado Livre.

 

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