Busca por alimentos saudáveis faz mercado de orgânicos acelerar no Brasil
Expansão do setor fortalece supermercados, agricultores familiares e mercados especializados, mas certificação exige atenção do consumidor
O mercado de produtos orgânicos vive um dos momentos de maior expansão no Brasil. Impulsionado pela busca crescente por alimentação saudável, sustentabilidade e consumo consciente, o setor vem ganhando espaço nas gôndolas dos supermercados, nas feiras especializadas e no comércio digital. Ao mesmo tempo em que cresce o interesse do consumidor, aumenta também a necessidade de atenção com certificações e selos oficiais que comprovem a origem dos alimentos.
Dados recentes mostram a força econômica do segmento. Segundo levantamento da consultoria IMARC Group, o mercado brasileiro de alimentos orgânicos movimentou cerca de US$ 4,3 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 16,7 bilhões até 2034, com crescimento médio anual estimado em 15,8%.
Número de produtores cresce e setor amplia presença no varejo
O crescimento do mercado também aparece no campo. Segundo dados do Observatório do Brasil Orgânico, o país já ultrapassou a marca de 25 mil propriedades dedicadas exclusivamente à agricultura orgânica, número que mais do que dobrou na última década.

O avanço da produção vem sendo puxado principalmente por pequenos agricultores familiares, cooperativas e produtores especializados em hortaliças, frutas, grãos e alimentos processados. O modelo orgânico deixou de ser nicho restrito às feiras alternativas e passou a ocupar espaço relevante no varejo tradicional.
Supermercados ampliaram corredores exclusivos para orgânicos, enquanto plataformas digitais e sistemas de entrega direta do produtor ao consumidor também ganharam força nos últimos anos. Em cidades como Goiânia, Brasília e São Paulo, o setor registra crescimento tanto em lojas especializadas quanto em pequenos negócios voltados ao consumo saudável.
A Associação de Promoção dos Orgânicos (Organis) estima que o setor mantenha crescimento médio anual entre 15% e 20% no Brasil.
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Certificação se torna fator decisivo para o consumidor
Com a expansão do mercado, cresce também a preocupação em relação à autenticidade dos produtos vendidos como orgânicos. Especialistas alertam que nem todo alimento identificado como “natural”, “sem veneno” ou “agroecológico” possui certificação oficial.
No Brasil, a produção orgânica é regulamentada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), responsável pelas normas de controle e fiscalização do setor. A principal identificação oficial é o selo SisOrg, obrigatório em produtos orgânicos certificados vendidos em supermercados, empórios e grandes redes varejistas.
O produtor rural Joe Valle, fundador da Fazenda Malunga, referência em orgânicos no Distrito Federal, afirma que a certificação funciona como uma garantia de rastreabilidade e controle de qualidade.
Segundo ele, o processo envolve auditorias periódicas, acompanhamento técnico e fiscalização de toda a cadeia produtiva, desde o cultivo até a comercialização dos alimentos.
Além da certificação por auditoria, o Brasil reconhece os Sistemas Participativos de Garantia (SPG) e as Organizações de Controle Social (OCS), muito utilizadas por agricultores familiares que fazem venda direta em feiras e mercados locais.

Sustentabilidade e saúde impulsionam novos negócios
O crescimento dos orgânicos também abriu espaço para novos modelos de negócio ligados à alimentação saudável e à sustentabilidade. Restaurantes especializados, hortas urbanas, delivery de cestas orgânicas, empórios naturais e pequenos mercados premium estão entre os segmentos em expansão.
Além da ausência de agrotóxicos, o consumidor passou a valorizar práticas como preservação do solo, manejo sustentável da água, respeito à biodiversidade e redução do impacto ambiental.
Outro segmento em forte crescimento é o de fertilizantes orgânicos. Dados do IMARC Group apontam que esse mercado movimentou US$ 148,6 milhões em 2025 e pode ultrapassar US$ 302 milhões até 2034.
A tendência acompanha o fortalecimento da agricultura regenerativa e da produção sustentável, que vêm ganhando espaço inclusive entre grandes produtores rurais.
Segundo a Organis, o número de brasileiros que consomem algum produto orgânico saiu de 15% em 2017 para 36% em 2023, demonstrando avanço gradual da conscientização alimentar no país.
A expectativa do mercado é que o crescimento continue nos próximos anos, impulsionado pela combinação entre saúde, sustentabilidade e mudanças no padrão de consumo das famílias brasileiras. Em meio à valorização da alimentação consciente, os orgânicos deixaram de ser apenas tendência e passaram a ocupar posição estratégica dentro do agronegócio e do varejo nacional.