sexta-feira, 24 de abril de 2026
CONTINUA PRESO

Ginecologista investigado por abusos tem prisão mantida em Goiás; defesa fala em “excesso”

A defesa informou que deve recorrer da decisão por meio de habeas corpus e reforçou que medidas alternativas seriam suficientes para garantir a ordem pública e o andamento das investigações

Luma Silveirapor Luma Silveira em 24 de abril de 2026
Ginecologista
Foto: Reprodução

Investigado por suspeita de abusar pacientes durante consultas e exames ginecológicos, o médico Marcelo Arantes e Silva teve a prisão mantida pela Justiça após audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (23). O caso, que ganhou forte repercussão em Goiás nos últimos dias, é apurado pela Polícia Civil e já reúne múltiplas denúncias de mulheres que relatam condutas que podem configurar crimes sexuais durante atendimentos médicos.

Segundo as investigações, os supostos crimes teriam ocorrido no contexto de consultas, o que levou a Polícia Civil a tratar o caso com prioridade, especialmente pelo potencial de haver outras vítimas. A divulgação do nome e da imagem do médico foi autorizada com base na legislação vigente, como forma de incentivar que mais mulheres procurem as autoridades e formalizem denúncias.

Audiência mantém prisão

Na audiência de custódia, o juiz responsável analisou a legalidade da prisão e concluiu que o mandado foi cumprido dentro dos parâmetros legais, sem qualquer irregularidade. Esse tipo de audiência não discute o mérito das acusações, mas apenas as circunstâncias da prisão. O pedido de liberdade apresentado pela defesa será avaliado posteriormente pelo juiz responsável pelo processo na comarca de Senador Canedo.

Durante o procedimento, o próprio investigado afirmou que não sofreu maus-tratos no momento da prisão. Ele relatou que foi abordado por policiais civis em sua residência, na presença da família, e conduzido de forma tranquila até a delegacia, sem uso de algemas ou violência.

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O Ministério Público se manifestou pela manutenção da prisão preventiva e pela continuidade da investigação no juízo competente. Já a defesa reiterou o pedido de substituição da prisão por medidas cautelares, como o afastamento do exercício da medicina, uso de tornozeleira eletrônica e eventual recolhimento domiciliar. Os advogados afirmam que o médico já não exerce a profissão desde setembro do ano passado e que sempre esteve à disposição das autoridades.

Defesa critica decisão

Em entrevista exclusiva ao jornal O Hoje, o advogado Rodrigo Lustosa classificou a prisão como desnecessária e afirmou que a medida representa um “excesso” dentro do processo penal brasileiro. “Prisão antes de condenação transitada em julgado é medida de exceção absoluta”, declarou. “O certo é que a prisão processual é a última hipótese no contexto do processo penal.”

A defesa informou que deve recorrer da decisão por meio de habeas corpus e reforçou que medidas alternativas seriam suficientes para garantir a ordem pública e o andamento das investigações. Lustosa também criticou a exposição do médico durante o andamento do caso. “Nós não podemos antecipar a culpa. Os pré-julgamentos dificultam um resultado justo”, afirmou.

Sobre o aumento no número de denúncias, o advogado apontou que a ampla divulgação pode influenciar novos relatos. “Quando alguém é exposto publicamente e apontado como culpado, outras pessoas podem reinterpretar situações e fazer imputações semelhantes”, disse.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam e não descarta o surgimento de novas vítimas. O caso segue sob responsabilidade da Delegacia Especializada, e a orientação é para que possíveis vítimas procurem atendimento e registrem ocorrência.

A decisão final sobre a manutenção ou revogação da prisão preventiva caberá ao juiz da segunda vara criminal de Senador Canedo, que deve analisar o pedido da defesa nos próximos dias. Até lá, o médico permanece preso à disposição da Justiça.

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