terça-feira, 28 de abril de 2026
NEGÓCIOS

Explosão de greves pressiona empresas e acende alerta no Brasil

Alta de 14% no ano passado expõe tensão mesmo com economia em crescimento

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 27 de abril de 2026
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Foto: Divulgação

O avanço das greves no Brasil em 2025 passou a influenciar diretamente o ambiente de negócios em 2026. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que o país registrou 1.006 paralisações no ano passado, alta de 14% em relação a 2024, consolidando um movimento de retomada das mobilizações trabalhistas.

O crescimento ocorreu principalmente no setor privado e em empresas estatais, enquanto o funcionalismo público manteve estabilidade no volume de greves. O dado chama atenção por ocorrer em um cenário de melhora econômica, com crescimento do PIB de 2,3% em 2025 e taxa de desemprego em 5,6%, a menor da série histórica iniciada em 2012.

Setor privado lidera pressão por direitos

As empresas privadas concentraram 539 greves, o equivalente a 53,6% do total. Desse volume, 86,8% tiveram caráter defensivo, ou seja, foram motivadas por descumprimento de direitos básicos, como atrasos salariais e problemas com benefícios.

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Foto: Divulgação

O dado revela um ponto sensível para 2026: mesmo com indicadores positivos, há fragilidade nas relações de trabalho, especialmente em setores com maior rotatividade e terceirização.

Além disso, enquanto o número total de horas paradas caiu no país, o setor privado registrou aumento de 13% nesse indicador, sinalizando maior intensidade das mobilizações nesse segmento.

Reajuste salarial domina reivindicações

Entre as principais pautas, o reajuste salarial lidera com presença em 35% das greves. Em seguida aparecem demandas por alimentação (28%), pagamento de salários atrasados (26%) e melhores condições de trabalho (24%).

Segundo o Dieese, há uma mudança no perfil das reivindicações. Em vez de buscar ganhos reais, muitos trabalhadores passaram a lutar pela reposição inflacionária, tentando evitar perdas no poder de compra.

Esse comportamento reflete a pressão sobre a renda das famílias, que segue como um dos principais desafios econômicos neste início de 2026.

Greves mais curtas e estratégicas

Apesar do aumento no número de paralisações, a duração das greves diminuiu. Em 2025, foram registradas 33,1 mil horas paradas, uma queda de 10% em relação ao ano anterior.

A maioria das mobilizações ocorreu de forma rápida: 59,4% começaram e terminaram no mesmo dia, enquanto 43,5% tiveram caráter de advertência. O padrão indica uma estratégia mais pontual, focada em pressionar negociações sem comprometer longamente a produção.

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Em 88% dos casos analisados, houve abertura de negociação, embora cerca de um terço tenha exigido mediação judicial.

Goiás entra no radar das mobilizações

Em Goiás, o cenário acompanha a tendência nacional e ganha relevância em 2026. Goiânia tem registrado paralisações pontuais em setores como limpeza urbana, saúde, educação e serviços terceirizados, geralmente relacionadas a atrasos salariais e condições de trabalho.

O estado, que apresenta crescimento econômico consistente puxado pelo agronegócio e pela indústria, também enfrenta desafios na distribuição desses ganhos, o que se reflete nas relações trabalhistas.

Especialistas avaliam que, em regiões com dinamismo econômico, como Goiás, cresce a pressão por melhores salários e condições, o que pode intensificar negociações coletivas ao longo de 2026.

Foto: Divulgação

Greve segue como último recurso

O Dieese aponta que, desde 2016, as greves têm sido utilizadas como último recurso, sobretudo por trabalhadores em situação de maior vulnerabilidade. Entre eles estão profissionais da educação pública, enfermagem, estatais e terceirizados.

Essas categorias enfrentam problemas recorrentes, como atrasos salariais, falta de estrutura e jornadas exaustivas – fatores que continuam presentes em grande parte das reivindicações.

Para o ambiente de negócios, o avanço das greves acende um alerta em 2026: a recuperação econômica, por si só, não tem sido suficiente para reduzir tensões no mercado de trabalho, o que mantém o tema no centro das negociações entre empresas, governos e trabalhadores.

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