terça-feira, 28 de abril de 2026
COBRANÇA ILEGAL

“Raspa-conta”: bancos pegam seu dinheiro e você não sabe; confira como ser ressarcido

Prática silenciosa pode passar despercebida por anos; especialista explica como identificar e reaver o dinheiro

Bia Salespor Bia Sales em 28 de abril de 2026
"Raspa-conta": bancos pegam seu dinheiro e você não sabe; confira como ser ressarcido
(Imagem: Shutterstock)

Uma prática pouco conhecida, mas que pode estar atingindo milhares de brasileiros sem que eles percebam, tem chamado a atenção de especialistas em direito do consumidor: o chamado “raspa-conta”. O nome curioso descreve um problema sério — descontos pequenos, recorrentes e muitas vezes não autorizados que vão sendo retirados da conta bancária ao longo do tempo.

Diferente de golpes tradicionais, como clonagem de cartão ou fraudes digitais, o raspa-conta acontece dentro do próprio sistema bancário, por meio de cobranças que passam despercebidas no dia a dia.

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Defensores do Direito Bancário (ABRADEB), Raimundo Nonato, o impacto pode ser grande. “Muita gente só percebe quando analisa extratos antigos ou ao encerrar a conta, quando já perdeu dinheiro por meses ou até anos”, alerta.

Como seu dinheiro some sem você perceber

Os casos mais comuns envolvem cobranças consideradas “invisíveis” no dia a dia. Entre elas estão:

  • Tarifas de manutenção indevidas em contas que deveriam ser gratuitas;
  • Renovação automática de serviços não contratados;
  • Seguros (de vida ou residencial) incluídos sem autorização;
  • Parcelamentos ou cobranças de dívidas já quitadas;
  • Anuidades em cartões que se dizem gratuitos;

Como os valores costumam ser baixos, muitos clientes acabam ignorando — e é justamente aí que mora o problema.

Por que o “raspa-conta” é ilegal

De acordo com especialistas, o raspa-conta fere diretamente regras do Código de Defesa do Consumidor, especialmente os princípios de transparência e consentimento.

Na prática, qualquer cobrança sem autorização clara do cliente pode ser considerada indevida — e deve ser devolvida.

Como se proteger (e identificar o problema)

A principal forma de evitar prejuízos é simples, mas exige atenção. Veja algumas dicas:

  • Conferir o extrato bancário todos os meses
  • Desconfiar de cobranças pequenas e recorrentes
  • Evitar contratar produtos financeiros por telefone sem confirmação formal
  • Usar o sistema Registrato, do Banco Central, para verificar contas, empréstimos e chaves Pix vinculadas ao CPF

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Descobriu o problema? Saiba o que fazer

Se o consumidor identificar descontos indevidos, o caminho para recuperar o dinheiro já pago começa dentro do próprio banco:

  1. Registrar uma reclamação formal e guardar o protocolo
  2. Acionar o Banco Central por meio da plataforma consumidor.gov.br
  3. Procurar o Procon do seu estado
  4. Recorrer à Justiça, se necessário

Segundo Raimundo Nonato, a legislação brasileira prevê a devolução em dobro em casos de cobrança indevida. “Muitas ações já garantem não só o ressarcimento, mas também indenização por danos morais”, afirma.

Fique atento aos seus extratos bancários

O raspa-conta não costuma aparecer de forma evidente — e justamente por isso pode durar anos sem ser percebido. A recomendação é clara: acompanhar de perto cada movimentação financeira é a melhor forma de evitar prejuízos silenciosos.

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