O vinagre saiu da salada e virou protagonista na cozinha e no lar dos brasileiros
Ingrediente ganha novas funções no cotidiano, do equilíbrio de pratos à jardinagem, e impulsiona mercado de versões orgânicas e aromatizadas
Por muito tempo restrito ao fundo do armário, o vinagre ganhou novo status na cozinha brasileira. O ingrediente, antes limitado a saladas, ampliou funções e passou a ocupar espaço mais sofisticado no cotidiano, conectado a escolhas alimentares mais conscientes e a um consumidor cada vez mais disposto a experimentar.
A variedade disponível no mercado reflete essa mudança. Versões clássicas, como os vinagres de vinho e de maçã, dividem espaço com opções aromatizadas, frutadas e balsâmicas. A escolha passou a considerar não apenas o tipo de preparo, mas o estilo de quem cozinha. Versões suaves combinam com saladas e pratos leves; as mais intensas vão bem em carnes e marinadas; as adocicadas ganham espaço até mesmo em sobremesas.
“Temos observado um aumento significativo na procura por diferentes tipos de vinagres. As pessoas estão mais interessadas em experimentar, entender combinações e buscar uma alimentação mais equilibrada”, afirma Rodrigo Margoni, especialista em vinagres.
A acidez, característica central do ingrediente, desempenha papel direto no equilíbrio dos pratos, realçando sabores e reduzindo a necessidade de outros temperos, como o sal. Esse fator dialoga com a busca por alimentação mais leve, tendência que impulsiona o avanço dos orgânicos. Dados recentes mostram que quase metade dos brasileiros consome itens orgânicos, e parcela expressiva está disposta a pagar mais por produtos que priorizam qualidade e processos responsáveis.
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Para Margoni, o movimento veio para ficar. “O vinagre deixou de ser apenas um coadjuvante e passou a ter protagonismo. Hoje, ele está conectado a um estilo de vida mais consciente, versátil e atento à qualidade”.