Quem votou contra Messias vai pagar caro. E Goiás está na lista
Lula está no seu direito de vetar indicações de aliados traíras e demitir os ocupantes de função de confiança, mas o pior vai ocorrer com as emendas e as obras, como as duplicações de rodovias fundamentais para o escoamento da produção
A briga entre os presidentes da República e do Congresso chegou ao ápice com o veto do Senado à entrada de Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal. Mas tudo indica que não vai ficar no estilo de Palmeiras e Corinthians quando ganham título, ou seja, ganhando de 1 a 0. O placar magro caminha para o empate, pois o senador Davi Alcolumbre (UB-AP) saiu na frente, porém Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve rechear o Diário Oficial com demitidos e seus substitutos, inclusive em Goiás. Os melhores amigos de Alcolumbre em Goiás são anti-Lula até o cabelo, o senador Wilder Morais (PL) e o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD).
Alcolumbre indicou dois ministros de pastas recheadas de recursos. Não, não foi o seu partido, o União Brasil, foi ele, tanto que um deles, Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional, é de outra sigla, o PDT. Waldez governou o Amapá de Alcolumbre, eram inimigos, os cargos na 3ª gestão de Lula os uniram. O outro de primeiro escalão catapultado do nada pelo presidente do Congresso é Frederico Siqueira Filho, das Comunicações. Liderança do UB, certo? Nada. Quem conhece a política brasileira na prática pode se espantar com a desenvoltura de oposicionista de uma autoridade que tem o espaço reservado por Lula a Alcolumbre.
Alcolumbre desfruta de tesouros no Planalto que serão cortados
Além dos ministérios, o parlamentar amapaense desfruta de outros tesouros, como a Codevasf, um troço kafkiano criado para o “Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paraíba”. A companhia é o paraíso dos oportunistas de todos os vales, inclusive no Vale do São Patrício e no Vale do Meia-Ponte, ambos em Goiás, a milhares de quilômetros do Velho Chico e riquíssimo Vale do Paraíba. No âmbito estadual, a Codevasf é exclusividade do senador Vanderlan Cardoso, que já foi olavo-pirista fanático, marconista fanático, irista fanático, bolsonarista fanático e agora é lulista fanático.
Outro senador por Goiás que já foi lulista fanático (na campanha de 1989, fez comícios em Goiânia gritando: “Com chuva, com sol, é Lula e Bisol”, referência ao senador gaúcho José Paulo Bisol), virou bolsonarista fanático, depois voltou a ser lulista fanático, Jorge Kajuru (PSB). E agora votou contra Messias. Graças a seu fanatismo lulo-vanderlanzista, Kajuru saiu pelo Estado inteiro anunciando milhões e mais milhões de reais em obras e máquinas, inclusive a do paraíso na Terra, a Codevasf. Como vão ficar esses benefícios depois da enésima mudança de turma de Kajuru?
210 municípios goianos não se sustentam com a própria arrecadação
O caso é grave, pois 210 dos 246 municípios goianos não se sustentam com a própria arrecadação, vivem de verbas federais, fazem farra à custa dos que produzem. Se o parlamentar que os representa não levar os recursos, o melhor prefeito vira a pior peste que as urnas já puseram no Executivo local. Resumindo, o pacto federativo tupiniquim é prato cheio para os oportunistas. Se mudar de lado na barafunda de Brasília, as cidades que representa podem ficar a ver navios no Córrego Caveirinha.
Não é piada, não é brincadeira, é coisa séria, mas os políticos estão nem aí. Por políticos aí entendam-se todos, dos presidentes da República e do Congresso à prefeita de Caldazinha e os vereadores de Anhanguera. O desrespeito é geral à tripartição de poderes e a vedação do Legislativo ao advogado-Geral da União para integrar o Judiciário afeta a BR-153, que precisa do dinheiro que o contribuinte manda para o Executivo. Na penúria que estão os produtores rurais, será o horror dos horrores se parar a duplicação entre Jataí e a divisa com Mato Grosso, passando por Mineiros. Uma região que produz a ponto de bancar os que vivem de Bolsa Família não pode ser vítima de vingança das balaiadas em Brasília.
É admitido tratar adesista como verme e os fujões como alvo de tiroteio
Lula tem o direito de retaliar os traíras para impedir que os fiéis a suas orientações tenham o mesmo tratamento que os companheiros. Na real politik, é admitido tratar adesista como verme e os fujões como alvo de tiroteio. Porém, as obras para escoar produção vitaminam a Balança Comercial, já que o Custo Brasil inclui o frete, o pneu, o combustível, enfim, o conjunto de fatores prejudicial como os juros e a burocracia. Sofrendo desse tanto, os agropecuaristas ainda vão penar com a injustiça merecida pelos ex-lulistas que se viraram contra Messias.
O locador de máquinas agrícolas na goiana Serranópolis vai pagar a conta da confusão entre um esperto amapaense e dois pernambucanos, Lula (de Garanhuns) e Messias (do Recife). As emendas, ponta de lança da podridão do Congresso, são aguardadas e necessárias. É injusto que o Parlamento, o Judiciário e o Executivo tenham se reduzido a isso, brigar por verbas que chegam ao eleitorado. Pior que isso é o morador de Guarinos ficar até sem o checão que os políticos levam como se fosse dinheiro tirado do bolso deles.