Churrasco movimenta R$ 1,2 bilhão e cresce no foodservice goiano
Goiás e Goiânia se destacam como polos de produção e consumo, impulsionando toda a cadeia
de churrasco
Mais do que uma tradição cultural, o churrasco se consolida como um dos motores do consumo no foodservice brasileiro. Em 2025, o segmento movimentou R$ 1,2 bilhão, crescimento de 39% em relação ao ano anterior, segundo o Instituto Foodservice Brasil (IFB). O volume de mais de 50 milhões de transações, alta de 6%, evidencia que o hábito segue em expansão, mesmo em um cenário de pressão sobre o orçamento das famílias.
A data de 24 de abril, conhecida como Dia do Churrasco, funciona mais como um marco simbólico de um costume já incorporado ao cotidiano do brasileiro — dentro e fora de casa.
Consumo concentrado no almoço
Os dados mostram um padrão claro: 66% do consumo de churrasco ocorre no horário de almoço, o que reforça a força da categoria no dia a dia e não apenas em ocasiões especiais. Além disso, mais de 83% dos consumidores têm mais de 25 anos, indicando que o hábito está consolidado entre o público adulto.

Esse perfil ajuda a explicar a estabilidade da demanda, mesmo diante de oscilações econômicas. O churrasco mantém sua relevância tanto em momentos de lazer quanto como opção prática de refeição fora do lar.
Presença forte em diferentes faixas de consumo
O levantamento também revela que o churrasco está presente em diferentes formatos de estabelecimentos. Locais com menor gasto por cliente concentram 28% das ocasiões, seguidos por restaurantes à la carte, com 17%, e estabelecimentos de maior tíquete médio, com 13%.
Essa capilaridade amplia o alcance do produto, que vai desde refeições mais acessíveis até experiências gastronômicas mais sofisticadas. Ao mesmo tempo, cria oportunidades para negócios de diferentes portes, especialmente em cidades de médio e grande porte.
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Goiás se destaca na produção e consumo
No Centro-Oeste, Goiás ocupa posição estratégica nesse mercado, tanto como produtor quanto como consumidor de carne bovina. O estado está entre os principais do país no abate de bovinos, com um rebanho superior a 20 milhões de cabeças, segundo dados do IBGE.
Goiânia, por sua vez, se consolida como um polo relevante de consumo. A capital reúne uma ampla rede de açougues, distribuidores e restaurantes especializados, além de forte tradição em churrascarias e eventos gastronômicos ligados à carne.
Esse cenário favorece toda a cadeia produtiva, desde o campo até o varejo e o foodservice, gerando empregos e movimentando a economia local.
Prazer e conveniência guiam o consumo
Entre os principais motivadores, o consumo por indulgência — comer por prazer — segue como fator central e estável. O churrasco permanece associado a momentos de convivência, lazer e socialização, o que sustenta sua atratividade.
Por outro lado, o consumo por hábito apresentou leve recuo em relação a 2024, sinalizando uma possível mudança no comportamento do consumidor, ainda que sem impacto significativo no volume total.
Segundo Ingrid Devisate, vice-presidente executiva do IFB, o churrasco continua sendo uma ocasião relevante, diretamente ligada ao prazer e à experiência coletiva.

Cadeia produtiva e tendências de mercado
O crescimento do segmento também acompanha transformações na cadeia da carne. O Brasil segue como um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, enquanto o mercado interno se adapta a novas demandas, como cortes premium, rastreabilidade e maior qualidade.
No foodservice, ganham espaço modelos que combinam conveniência e experiência, como marmitas premium, delivery especializado e casas focadas em cortes diferenciados.
Em Goiás e Goiânia, essa tendência se reflete na diversificação dos negócios, com desde pequenos empreendimentos até operações mais estruturadas voltadas ao consumo urbano.
Combinando tradição cultural, força produtiva e adaptação ao novo perfil do consumidor, o churrasco se mantém como um dos segmentos mais dinâmicos do varejo alimentar brasileiro — e com espaço para continuar crescendo nos próximos anos.