Além de cães e gatos, pets exóticos disparam e viram negócio bilionário
Pets exóticos ganham espaço no Brasil e movimentam mercado em forte expansão
O avanço do mercado de pets no Brasil já não se limita a cães e gatos. Um segmento mais específico, formado por animais exóticos como répteis e quelônios, ganha espaço e abre novas frentes de negócios em diferentes regiões do país. Com crescimento estimado em cerca de 30% em nichos especializados, o setor passa por um processo de profissionalização, impulsionado por consumidores que buscam experiências diferenciadas e por empreendedores atentos ao potencial econômico dessa demanda.
Nicho em expansão dentro de um mercado bilionário
O Brasil abriga uma das maiores populações de animais de estimação do mundo, com cerca de 160 milhões de pets, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação e o Instituto Pet Brasil. Dentro desse universo, aproximadamente 2,9 milhões correspondem a animais não convencionais, como répteis e pequenos mamíferos, evidenciando um mercado ainda pouco explorado, mas com forte potencial de crescimento.

Esse movimento acompanha mudanças no comportamento do consumidor, que passa a valorizar exclusividade, menor necessidade de espaço e rotinas de manejo diferenciadas. Ao mesmo tempo, o setor exige maior especialização técnica, o que eleva o nível de profissionalização das empresas.
Alto valor agregado e perfil do consumidor
Diferentemente do mercado tradicional, o segmento de pets exóticos opera com alto valor agregado. Animais podem custar de R$ 1,5 mil a até R$ 45 mil, dependendo da espécie, raridade e genética. Esse perfil atrai um público disposto a investir mais, mas também mais exigente em relação à procedência, bem-estar animal e suporte técnico.
Além da venda, o faturamento se estende a produtos e serviços complementares, como alimentação especializada, terrários, aquecimento, iluminação e acompanhamento técnico. Esse ecossistema amplia as oportunidades de negócio e diversifica as fontes de receita.7
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Profissionalização e exigências legais
A expansão do setor ocorre acompanhada de regras rígidas. A criação e comercialização de animais exóticos no Brasil dependem de licenciamento ambiental e autorização de órgãos competentes, o que limita a informalidade e favorece empreendimentos estruturados.
Estados como Alagoas já contam com empreendimentos legalizados e consolidados, enquanto outras regiões começam a se organizar para atender a demanda crescente. A rastreabilidade genética, o controle sanitário e o manejo adequado se tornaram diferenciais competitivos essenciais.
Goiás entra no radar do segmento
Em Goiás, especialmente em Goiânia e região metropolitana, o interesse por pets exóticos também cresce, ainda que de forma mais tímida. Clínicas veterinárias especializadas, lojas de insumos e criadores legalizados começam a estruturar esse mercado, acompanhando uma tendência nacional.
A capital goiana, com forte presença de agronegócio e renda em expansão, apresenta perfil favorável para o desenvolvimento desse nicho. A busca por animais de menor porte e manejo mais controlado também dialoga com a urbanização e a redução de espaços residenciais.

Gestão e marketing impulsionam crescimento
Outro fator determinante para o avanço do setor é o uso estratégico do ambiente digital. Criadores e empresas têm investido em redes sociais e e-commerce para alcançar consumidores em todo o país, reduzindo barreiras geográficas e ampliando o alcance das vendas.
A produção de conteúdo educativo, aliada à transparência sobre origem e cuidados com os animais, se tornou ferramenta essencial para gerar confiança. Em um mercado que exige responsabilidade e conhecimento técnico, informação qualificada é parte do produto.
O crescimento do segmento de pets exóticos indica não apenas uma diversificação no mercado pet, mas também a consolidação de um nicho com alto valor agregado, forte exigência técnica e potencial de expansão em centros urbanos como Goiânia. Para empreendedores, trata-se de uma oportunidade que combina especialização, inovação e um público disposto a investir — desde que haja segurança, legalidade e qualidade na oferta.