Com apoio de Gracinha a Zé Mário, o que muda na escolha do vice de Daniel?
Declaração fortalece nome ligado ao agro, envia recado a aliados e pode influenciar decisão final do governador
Bruno Goulart
A corrida pela vaga de vice na chapa do governador e pré-candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB) ganhou força nos bastidores após uma declaração direta da ex-primeira-dama e pré-candidata ao Senado, Gracinha Caiado (UB). Durante encontro com lideranças do setor rural, em Goiânia, a senatoriável afirmou: “Se depender de mim, o vice de Daniel será o Zé Mário”. José Mário Schreiner é presidente licenciado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e do Sebrae.
A fala ocorreu diante de mais de 100 presidentes de sindicatos rurais e produtores, em um evento que reuniu representantes de várias regiões do Estado na última sexta-feira (24). Embora a escolha oficial dependa do governador Daniel e do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), o posicionamento teve forte repercussão política e é visto como um gesto de impacto na disputa.
Sinal forte
Para especialistas, a declaração vai além de uma simples opinião. Ao jornal O HOJE, o especialista em Marketing Político e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Felipe Fulquim, afirma que o gesto tem peso dentro do grupo governista. “Esse posicionamento é muito forte. Ele indica uma sinalização clara de apoio e faz com que o nome dos aliados ganhe mais força nessa corrida”, avalia.
Segundo Fulquim, há também um cálculo eleitoral por trás desse movimento. “Ao declarar esse apoio, ela também espera reciprocidade, principalmente nas bases, pensando na própria eleição ao Senado. Ou seja, antecipa alianças e fortalece seu projeto político”, explica.
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O especialista destaca ainda que Gracinha ocupa uma posição estratégica. “Ela é uma figura próxima tanto de Daniel quanto de Caiado. Por isso, essa fala tem um peso muito grande e representa uma inclinação dentro do grupo”, afirma. Na prática, o movimento pode dar vantagem ao nome apoiado pela ex-primeira-dama.
Recado nas entrelinhas
Além de fortalecer um nome, a declaração também envia recados claros para outros pré-candidatos. O mestre em História e especialista em Políticas Públicas, Tiago Zancopé, avalia que a fala define um perfil específico para o cargo de vice. “Quando ela diz que o Zé Mário é o ideal, acaba deixando de lado nomes como Gustavo Mendanha (PRD) e Luiz Carlos do Carmo (PSD), além de enfraquecer a articulação em torno de Bruno Peixoto”, afirma.
Segundo Zancopé, o recado vai além dos nomes. “Ela indica um perfil: alguém ligado ao agro, produtor rural, mais experiente. Quando diz ‘eu gosto do Zé Mário’, o recado nas entrelinhas é que, se não tiver esse perfil, talvez não seja o momento”, explica.
Nesse cenário, outros nomes perdem espaço momentaneamente, enquanto o de José Mário Schreiner tende a ganhar protagonismo.
Agro ganha protagonismo
Presidente licenciado da Faeg, Zé Mário tem forte ligação com o setor agropecuário e tem ampliado sua base política. O apoio público de Gracinha reforça esse movimento e pode atrair ainda mais lideranças, especialmente do interior.
A tendência é que essa articulação cresça nos próximos dias. Um encontro com prefeitos aliados, na próxima terça-feira (28), deve reunir gestores de diversas regiões para tentar consolidar o nome dentro da base governista.
Disputa segue aberta
Apesar do avanço, a definição do vice ainda está em aberto. A escolha envolve equilíbrio político, alianças partidárias e estratégia eleitoral. Por isso, outros nomes seguem no páreo e a decisão final ainda depende de negociações. (Especial para O HOJE)