Alimentação e libido: ciência aponta caminhos, mas descarta “atalhos” imediatos
A libido, segundo os especialistas, é resultado de um conjunto de condições físicas e emocionais
Levantamento realizado em 2025 pela Gleeden aponta que 75% dos brasileiros não se consideram plenamente satisfeitos com a própria vida sexual. O cenário tem impulsionado a busca por alternativas que prometem aumentar o desejo, incluindo alimentos associados à melhora da libido, tema que ganhou força nas redes sociais com a circulação de receitas e recomendações.
Apesar da popularidade dessas estratégias, especialistas alertam que não existem soluções imediatas capazes de elevar o desejo sexual. Ainda assim, destacam que a alimentação exerce influência relevante sobre a saúde sexual, ao impactar fatores como equilíbrio hormonal, circulação sanguínea e bem-estar emocional.
De acordo com profissionais da área, nutrientes específicos influenciam diretamente fatores como produção hormonal, circulação sanguínea e bem-estar emocional, elementos considerados fundamentais para o desempenho sexual. O funcionamento adequado do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, responsável pela regulação de hormônios como testosterona, estrogênio e progesterona, depende de um equilíbrio metabólico no qual a dieta exerce papel central.
Segundo a nutróloga Samanta Castro, entre os nutrientes mais associados à saúde sexual está o zinco, essencial para a produção de testosterona. Presente em alimentos como carnes magras, sementes, oleaginosas e frutos do mar, o mineral contribui para a manutenção do desejo tanto em homens quanto em mulheres. Já o ômega-3, encontrado principalmente em peixes, auxilia na circulação sanguínea e no controle de processos inflamatórios, fatores que também impactam a resposta sexual.
A especialista destaca ainda a importância de alimentos que estimulam a produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina, ligados à sensação de prazer e bem-estar. Nesse grupo, o cacau aparece como um dos principais exemplos, por conter compostos bioativos que favorecem o humor. Frutas como banana e abacate também são apontadas como aliadas, por serem fontes de vitaminas do complexo B e gorduras saudáveis.
A recomendação inclui ainda o consumo de alimentos que contribuem para a saúde vascular e reduzem inflamações, como folhas verde-escuras, beterraba, frutas, azeite de oliva, castanhas e sementes. Especialistas ressaltam que dietas muito restritivas podem comprometer a energia e o ânimo, sendo importante manter uma alimentação equilibrada, com a presença de carboidratos de qualidade e proteínas.
Entre as tendências recentes, sucos naturais à base de beterraba, gengibre e melancia têm ganhado espaço. A beterraba é rica em nitratos, que favorecem a dilatação dos vasos sanguíneos, enquanto o gengibre possui propriedades antioxidantes que contribuem para a circulação. Já a melancia contém citrulina, substância que auxilia no relaxamento vascular e no aumento do fluxo sanguíneo.
Folhas de amora ganham espaço como aliadas da libido feminina
Conhecida pelos benefícios nutricionais do fruto, a amora também tem chamado atenção pelo potencial das suas folhas, que vêm sendo cada vez mais utilizadas como aliadas da saúde. Ricas em compostos bioativos, elas apresentam propriedades que contribuem para o funcionamento do organismo e têm sido associadas, principalmente, ao cuidado com a saúde da mulher.
Estudo publicado na revista Sítio Novo apontam que as folhas de amora concentram substâncias como flavonoides, entre eles quercetina e kaempferol, reconhecidos pela ação antioxidante. Também estão presentes ácidos fenólicos, com propriedades anti-inflamatórias, além de taninos, que auxiliam na digestão. Outros componentes incluem alcaloides, relacionados a funções metabólicas e neuroprotetoras, e fitoestrógenos, compostos com ação semelhante ao estrogênio.

O uso das folhas de amora tem se destacado como alternativa natural para a saúde da mulher. Entre os efeitos observados, especialistas destacam o impacto positivo na libido feminina. Isso ocorre, principalmente, pela presença de fitoestrógenos, compostos vegetais com ação semelhante ao estrogênio. que auxiliam no equilíbrio hormonal. Esse processo pode favorecer o aumento do desejo sexual, além de contribuir para maior energia e vitalidade.
Outro fator relevante está relacionado à circulação sanguínea. As folhas de amora atuam no sistema vascular, melhorando o fluxo de sangue no organismo, o que pode influenciar diretamente na resposta sexual, incluindo a lubrificação vaginal. Além disso, compostos presentes na planta também podem atuar no sistema nervoso, promovendo maior sensação de bem-estar e equilíbrio emocional, aspectos considerados importantes para a saúde íntima.
A forma mais comum de consumo é por meio do chá, preparado com a infusão das folhas em água quente por alguns minutos, seguido de um período de descanso antes do consumo. O produto também pode ser encontrado em versões industrializadas, como extratos e cápsulas disponíveis em lojas especializadas.
Apesar dos benefícios, o uso requer cautela. Especialistas alertam que gestantes e lactantes devem evitar o consumo devido aos efeitos hormonais. Pessoas com hipoglicemia ou em tratamento para diabetes e pressão arterial também precisam de orientação médica, já que a planta pode potencializar os efeitos de medicamentos e reduzir ainda mais os níveis de açúcar no sangue.
Mitos sobre aumento da libido
Apesar da popularidade de alimentos considerados afrodisíacos, como ostras, chocolate e pimenta, especialistas alertam que muitos dos efeitos atribuídos a esses itens não têm comprovação científica consistente. Em grande parte dos casos, a associação com o aumento da libido está mais ligada a fatores culturais, simbólicos e psicológicos do que a uma ação fisiológica direta no organismo.
De acordo com a nutróloga, a reputação desses alimentos ao longo da história muitas vezes surgiu por características visuais, tradições ou pela relação com experiências prazerosas. O chocolate, por exemplo, é frequentemente citado como estimulante do desejo, mas especialistas fazem uma distinção importante: os benefícios estão relacionados ao cacau em sua forma mais pura, rico em antioxidantes, e não às versões industrializadas, que contêm altos níveis de açúcar, gorduras e aditivos.
Outros produtos, como pimenta, catuaba e maca peruana, também ganharam notoriedade como supostos estimulantes sexuais. No entanto, especialistas ressaltam que o desejo sexual não depende de soluções isoladas. Fatores como qualidade do sono, níveis de estresse, equilíbrio hormonal, hidratação e estado geral de saúde têm papel muito mais determinante.
A libido, segundo os especialistas, é resultado de um conjunto de condições físicas e emocionais. Por isso, alterações persistentes no desejo sexual devem ser avaliadas com acompanhamento médico e nutricional, a fim de identificar possíveis causas e orientar o tratamento adequado.