Após derrotas, Lula se afunda e Flávio surfa em fragilidade do rival
Messias rejeitado e dosimetria motivam o senador a rebaixar ainda mais o presidente ao associar o petista com possível atuação de Lulinha em esquema de fraude
Após uma semana memorável do ponto de vista de quantidades de derrotas para o governo do presidente da República e pré-candidato à reeleição, Lula da Silva (PT), o foco agora é recuperar a força do discurso do petista. A imagem do chefe do Planalto encontra-se enfraquecida e sob o risco de ser derrotada pelo seu maior adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também concorre à Presidência do Brasil e pode se aproveitar deste momento de fragilidade.
A compreensão é de que os programas sociais falharam em alavancar a popularidade do governo Lula, ainda mais em um cenário onde o indicado do petista para o Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Messias, foi rejeitado pelo Senado e isso foi considerado uma derrota histórica. Desde a Proclamação da República até os dias atuais, apenas seis ministros passaram pela mesma situação do indicado do presidente. Os cinco rejeitados antes de Messias foram todos no mesmo ano, 1894.

Para piorar a situação, um dia após a rejeição de Messias, o governo viu o veto ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria ser derrubado pelo Congresso, texto esse que reduz as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados no processo da trama golpista. De acordo com informações levantadas pela Folha de S.Paulo, o chefe do Executivo nacional instruiu auxiliares a encontrarem uma nova gama de propostas que possam ser apresentadas como eixos para um quarto mandato.
Na avaliação de Lula, a retomada de programas sociais e outras medidas econômicas adotadas nesses últimos anos não ajudaram de forma significativa no aumento de sua popularidade. No entanto, o objetivo não é deixar de exaltar a área social, pois as trajetórias tanto do partido quanto do próprio presidente são intimamente ligadas com essas ações. A questão é que serão necessárias novas bandeiras para a campanha à reeleição.
Novos enunciados
O que se espera é que Lula mude o rumo dos discursos e foque mais no confronto às casas de apostas, pautas de combate à violência contra as mulheres, religião, diminuição do preço dos combustíveis e na defesa da soberania e dos recursos minerais. O petista também pretende implantar o fim da escala 6×1 e quer o projeto aprovado pelo Congresso antes da eleição. A redução da jornada de trabalho pode se tornar uma marca da gestão comandada por Lula.

Já a equipe de pré-campanha do primogênito do ex-presidente Bolsonaro (PL) definiu como uma das estratégias a serem lançadas nos próximos dias chamar Lula de “pai do Lulinha”. O intuito é usar temas sensíveis que atingem diretamente o eleitor, como as fraudes em descontos nos benefícios do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) e a pauta anticorrupção.
Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, foi citado nas investigações que apuram o desvio de recursos de aposentadorias e pensões como uma possível ligação com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como principal operador do esquema.
A defesa do filho do presidente confirma a relação com Antônio, mas diz que a aproximação se refere à prospecção de negócios comerciais legítimos. Não é a primeira vez que Lulinha surge envolvido em polêmicas. Fábio Luís já foi citado em uma operação ligada à Lava Jato, em 2019. A aposta é que as citações a Lulinha reforcem o discurso de Flávio, que segue em empate técnico com Lula nas intenções de voto em eventual segundo turno na maioria das pesquisas.

Acesse também: Reflexos da rejeição de Messias pelo Senado nas eleições de outubro
Mensagens falaciosas
O comunicador social e marqueteiro político Leo Pereira avalia que os discursos dos dois principais pré-candidatos à Presidência da República são compostos por mensagens falaciosas e que a conjuntura política em que o País se encontra exige uma posição diferente, tanto por parte de Lula quanto por parte do senador.
“Ambos os discursos lidam mais com falácias e menos com comunicação social. O momento histórico exige muito mais de ambos. De qualquer sujeito que se coloque no pleito. Há que avançar o debate para o século 21. Já ocupamos mais de 1/4 do século e sem novidades”, pontua o especialista em marketing político em entrevista ao O HOJE. (Especial para O HOJE)