Bancada goiana é a favor do fim da escala 6×1, mas com outro foco
Há parlamentares que se dizem abertos à proposta que beneficia os trabalhadores, mas condicionam o apoio ao cumprimento de interesses do empresariado
Há um descompasso entre a posição de parte da bancada goiana no Congresso Nacional com o que deseja maioria da população brasileira quanto ao fim da escala 6×1. Essa premissa é reforçada por meio de um levantamento feito pelo jornal O Popular que diz que metade da bancada de Goiás se diz favorável à redução da jornada de trabalho e destaca que, como a maioria dos deputados federais e senadores ainda evitam se posicionar abertamente, a tendência seria de aprovação.
Nesse sentido, o entendimento é que, apesar da pesquisa apontar que mais da metade dos parlamentares goianos são a favor do projeto, esse índice não conta com a posição cem por cento definida de determinados congressistas.

É o caso dos deputados federais Adriano do Baldy (PP), Daniel Agrobom (MDB), Flávia Morais (MDB), Gustavo Gayer (PL), José Nelto (UB), Lêda Borges (Republicanos), Magda Mofatto (PL) e Marussa Boldrin (Republicanos), que apresentam tendência favorável, contrária ou não responderam ao levantamento.
Sobre o posicionamento dos deputados federais, o sociólogo Jones Matos explica o porquê de os congressistas não se pronunciarem de forma definitiva acerca do fim da escala 6×1. “Esses parlamentares citados são conservadores e ligados a grupos econômicos e é por essa razão que eles não vão mudar de lado e vão continuar defendendo os patrões. Por isso é que tais deputados são contra à diminuição da jornada de trabalho”, pontua Matos em entrevista ao HOJE.
Discrepância comportamental
O mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé ressalta a discrepância comportamental de determinados deputados federais que não apresentam uma posição mais firme e contrária à redução da jornada de trabalho.
“De alguns deputados nós não esperamos nada, mas do Zacharias Calil, que é um médico que atende pelo SUS e é um profissional que atua na medicina popular, surpreende muito a ausência de um posicionamento mais coerente e definitivo sobre o fim da escala 6×1, porque é uma atitude absurda. Não dá para imaginarmos que o fim da escala 6×1 vai quebrar o Brasil porque não vai”, pontua Zancopé.
Dados mais recentes
Cabe destacar que 68% dos brasileiros são a favor do fim da escala de trabalho 6×1, 22% são contrários à mudança e 10% não souberam ou não responderam à pesquisa Genial/Quaest divulgada no dia 18 de maio, considerada a pesquisa mais recente sobre o assunto.
Apesar de a Região Centro-Oeste apresentar maioria da população a favor da pauta, é no Nordeste que há maior apoio à mudança, com 72% de aprovação e 16% de oposição. O Sul é a região com a menor taxa favorável, com 63%. Outros 29% são contra.
O apoio à pauta é mais expressivo entre os que se declaram lulistas, uma vez que 76% defendem a aprovação e 17% são contra. A preferência pela redução da jornada é maior na “esquerda não lulista”, ao considerar que 88% endossam e 7% rejeitam.
Já entre os bolsonaristas, 44% são a favor do fim da escala 6×1 e 42% são contra. A direita não bolsonarista se mostra mais simpática à proposta, visto que 55% são favoráveis e 37% rejeitam a ideia.
Os resultados fazem parte da 25ª rodada da pesquisa de opinião registrada sob o número BR-03598/2026. Foram feitas 2.004 entrevistas entre 8 a 11 de maio, de forma domiciliar, com brasileiros com 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos porcentuais e o nível de confiança é de 95%.
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O que pensam os empresários
Diante das discussões acerca da redução da jornada de trabalho, parte do empresariado busca deixar explícito o seu ponto de vista ao pontuar os possíveis impactos que o setor pode enfrentar em função do aumento de dias de descanso para os funcionários.
A exemplo disso, tem-se o posicionamento do presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Goiás (Fecomércio-GO), Marcelo Baiocchi, que afirmou ao O Popular que as entidades empresariais têm o objetivo de intensificar o diálogo com parlamentares goianos a fim de discutir os efeitos da proposta, pois há preocupações em torno das atividades que funcionam em regime contínuo, como hospitais, unidades de pronto atendimento, hotelaria, papelaria, turismo e parte da rede educacional. (Especial para O HOJE)